Uma projeção técnica divulgada pelo Comitê Gestor do IBS apontou alíquota combinada de 27,91%, sendo 18,70% para o IBS e 9,21% para a CBS. O percentual, usado apenas para estimar arrecadação e financiar o órgão a partir de 2027, foi interpretado por parte do mercado como carga automática, acendendo o alerta entre empresários e contadores.
De onde surgiu a estimativa de 27,91%
O número aparece na Resolução CGIBS nº 14, que calculou quanto da arrecadação futura custeará o próprio Comitê Gestor. Para chegar à projeção, técnicos somaram 18,70% de IBS a 9,21% de CBS, formando o índice de 27,91%. Nada ali, contudo, institui alíquotas definitivas nem obriga contribuintes a recolher esse percentual.
O Ministério da Fazenda/Receita Federal administra a CBS em nível federal, enquanto o IBS será gerido por estados, Distrito Federal e municípios de forma compartilhada. Como os tributos compõem o IVA Dual, faz sentido que uma estimativa do IBS utilize também premissas sobre a CBS — mas isso não configura decisão final.
Alíquota estimada x alíquota de referência
Especialistas lembram que é preciso separar quatro conceitos distintos:
- Alíquota estimada: usada em estudos preliminares, como o de 27,91%.
- Alíquota de referência: será calibrada para preservar a arrecadação dos tributos substituídos.
- Alíquota aplicável à operação: varia conforme reduções, regimes específicos ou alíquota zero.
- Carga tributária efetiva: resultado final após créditos e peculiaridades de cada empresa.
Confundir esses termos pode levar a projeções distorcidas e decisões gerenciais equivocadas.
Como exceções pressionam a alíquota-padrão
O texto da Reforma Tributária manteve reduções de 60%, alíquota zero para a Cesta Básica Nacional, cashback para baixa renda e regimes específicos para setores que fogem do modelo puro de débito e crédito. Quanto maior o volume de exceções, menor a base tributada integralmente; por consequência, a alíquota-padrão tende a subir para preservar a neutralidade na arrecadação.
Isso não significa revogar benefícios. Significa apenas reconhecer o “efeito matemática” de cada desoneração dentro do sistema.
Impacto desigual entre setores
Embora duas companhias possam enfrentar a mesma alíquota nominal, sua carga efetiva varia conforme estrutura de custos, posição na cadeia e volume de créditos gerados. Empresas intensivas em mão de obra, como muitas prestadoras de serviços, acumulam menos créditos porque salários não dão direito a abatimento de IBS ou CBS. Já indústrias que compram matérias-primas, energia e equipamentos tributados podem compensar boa parte dos débitos.
Ainda assim, não se deve concluir que todo o setor de serviços perderá competitividade: há reduções específicas, regimes diferenciados e clientes que valorizam o crédito transferido na operação.
Fases da transição até 2033
A implementação dos novos tributos é escalonada. Em 2026 vigoram alíquotas de teste de 0,9% (CBS) e 0,1% (IBS). A CBS substitui PIS e Cofins a partir de 2027; o IBS entra em cena gradualmente entre 2029 e 2032, com conclusão prevista para 2033. Nesse período, a Lei Complementar nº 214/2025 prevê mecanismos de revisão caso a alíquota de referência ultrapasse parâmetros políticos previamente definidos.
E o Simples Nacional?
O regime simplificado continua existindo. Micro e pequenas empresas poderão manter IBS e CBS dentro do DAS ou optar, em certas condições, pelo regime regular. Essa escolha influenciará preços, créditos gerados para clientes e competitividade, sobretudo em operações B2B.
Análise KDicas: o custo de oportunidade da preparação antecipada
Manter sistemas, contratos e preços inalterados à espera da alíquota final pode custar caro. A empresa que organiza dados hoje, testa cenários de 26,5%, 27,91% ou qualquer outro percentual, sai na frente quando ajustes forem exigidos pelo fisco. O custo de oportunidade se materializa em possíveis multas por atraso na adequação, perda de mercado frente a concorrentes que já ofertem preços calibrados com créditos futuros e dificuldade em renegociar cláusulas contratuais sob pressão de tempo. Em contrapartida, quem simula diferentes ambientes fiscais pode realocar investimentos, rever margens e negociar insumos de forma estratégica, reduzindo o choque quando a alíquota definitiva for conhecida.
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