O Banco de Brasília (BRB) oficializou, nesta quarta-feira (27), a possibilidade de homologar injeções parciais de recursos em seu capital, dentro do limite de R$ 8,8 bilhões, e prorrogou até 3 de junho o período para que acionistas exerçam o direito de preferência na subscrição de novas ações. A medida, que depende da autorização do Banco Central, permitirá que o reforço de capital faça efeito de forma escalonada, num momento em que a instituição busca recompor perdas bilionárias reveladas pela Operação Compliance Zero.
Homologação fracionada acelera reforço de capital
Até a mudança anunciada, o BRB precisava concluir toda a captação antes de submeter a operação ao crivo definitivo do Banco Central. Agora, cada etapa de internalização poderá ser homologada separadamente, fazendo com que o dinheiro entre mais rápido no cálculo de patrimônio de referência. O banco fixou o preço de emissão em R$ 5,36 por ação, ordinária ou preferencial, com limite global de R$ 8,81 bilhões.
Se a colocação for integral, o capital social poderá chegar a R$ 11,16 bilhões, ante os atuais R$ 2,344 bilhões. Mesmo num cenário conservador, a administração projeta elevar o capital mínimo para R$ 2,88 bilhões, parâmetro considerado fundamental para manter os índices de Basileia dentro das faixas regulatórias.
Prazo estendido busca isonomia entre os sócios
Na mesma nota, a instituição informou que, “para preservar o direito de todos os acionistas”, estendeu até 3 de junho o prazo de subscrição prioritária. O Governo do Distrito Federal (GDF), detentor de 53,7% das ações, indicou que participará da rodada, mas ainda não definiu o valor a ser aportado.
A assembleia de abril autorizou o aumento de capital e abriu caminho para a emissão, mas os eventos recentes aceleraram a necessidade de injeção financeira. Com a venda gradual de ações, a direção do banco pretende evitar a diluição excessiva de minoritários e, ao mesmo tempo, sinalizar ao mercado o compromisso com as exigências prudenciais.
Operação Compliance Zero escancara rombo bilionário
Em novembro de 2025, a Polícia Federal deflagrou a primeira fase da Operação Compliance Zero, revelando a compra de ativos de difícil recuperação do Banco Master e estimando perdas que podem superar R$ 10 bilhões. O controlador do Master, Daniel Vorcaro, foi preso em março, enquanto o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, também foi detido sob suspeita de receber vantagens para aprovar o negócio.
Desde então, o banco não entregou as demonstrações financeiras referentes a 2025, cuja publicação deveria ter ocorrido até 31 de março. A postergação impede a mensuração exata do prejuízo e acentua a pressão de reguladores. Sem o balanço auditado, a administração precisa demonstrar, por meio do aumento de capital, que possui colchão suficiente para absorver potenciais perdas.
GDF recorre ao STF em busca de aval para empréstimo
Paralelamente ao aporte societário, o GDF requereu ao Supremo Tribunal Federal autorização para contrair R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC), entidade privada que protege poupadores em caso de quebra bancária. O processo, relatado pelo ministro Luiz Fux, foi tema de audiência nesta manhã, com a participação da governadora em exercício Celina Leão e do ministro da Fazenda, Dario Durigan.
Para liberar a operação, o governo distrital pede que o Tesouro Nacional revise a nota de crédito do DF e funcione como garantidor indireto. O Ministério da Fazenda sinalizou que exigirá contragarantias: caso o Distrito Federal deixe de honrar parcelas, a União poderá reter repasses dos Fundos de Participação dos Estados (FPE) e dos Municípios (FPM).
Próximos passos e exigências regulatórias
As novas regras de capitalização serão submetidas ao Banco Central, que avaliará se o fluxo de homologações parciais preserva a solidez do sistema financeiro. A autarquia também aguarda o balanço auditado do BRB para mensurar, com precisão, o impacto dos ativos problemáticos no índice de adequação de capital.
Embora o cronograma para conclusão da oferta não tenha sido detalhado, a diretoria trabalha com a perspectiva de concluir a emissão principal ainda no segundo semestre. A realização de leilões subsequentes dependerá da adesão inicial dos acionistas e do retorno de confiança do mercado, abalado após as denúncias da Polícia Federal.
Impacto financeiro: custo de oportunidade para o GDF e acionistas
A prática de homologar aportes fracionados pode reduzir o custo de oportunidade para o GDF e investidores privados. Ao injetar capital em etapas, o controlador evita a alocação imediata de toda a quantia, mantendo liquidez para outras despesas do governo distrital enquanto o banco vai recompondo gradualmente seus índices. Para minoritários, o parcelamento diminui a necessidade de contrair dívida ou vender ativos de forma apressada para acompanhar a oferta e evitar diluição. Contudo, caso a adesão inicial seja tímida, o BRB poderá enfrentar pressão do regulador para acelerar novas chamadas de capital ou buscar alternativas de funding mais onerosas, elevando o risco financeiro para o conjunto de acionistas.
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