Equipes financeiras de porte médio ainda perdem horas conciliando extratos, planilhas e arquivos de múltiplos bancos, alerta Gonzalo Parejo, CEO da plataforma Kamino. A fragmentação das informações enfraquece a análise do CFO e atrasa decisões críticas, mantendo a visão de caixa sempre defasada. Para mudar esse cenário, o executivo elenca práticas que unem dados, aceleram pagamentos e aproximam o financeiro da estratégia corporativa.
Registro x execução: o elo perdido na rotina financeira
Parejo observa que boa parte das organizações confia no ERP apenas para registrar obrigações, mas não para confirmar o que foi realmente pago. “O sistema diz que o desembolso deveria ocorrer, porém a confirmação depende de checagem manual”, pontua. Enquanto persiste essa lacuna, o gestor financeiro segue atolado em atividades operacionais, longe do papel de parceiro estratégico do negócio.
Visão única de caixa: o primeiro passo rumo à eficiência
Segundo o CEO, o maior gargalo está na dispersão de dados em bancos, sistemas e planilhas independentes. Consolidar tudo consome tempo antes mesmo da análise. A recomendação é centralizar saldos e movimentações em um painel único, permitindo leitura imediata do fluxo de caixa e das obrigações futuras.
Cinco práticas essenciais para fortalecer a gestão de caixa
- Integração bancária em tempo real – conectar todas as contas em uma única plataforma elimina o vai-e-vem de arquivos e reduz riscos de erro.
- Conciliação automática – substituir o cruzamento manual de extratos por rotinas automatizadas libera horas da equipe para atividades analíticas.
- Abandono do CNAB tradicional – formatos mais modernos oferecem retorno imediato sobre a execução de pagamentos, algo inviável com arquivos em lote.
- Uso de inteligência artificial – agentes de IA já são capazes de categorizar, interpretar e sinalizar inconsistências sem intervenção humana.
- Acompanhamento em tempo real do impacto no caixa – cada débito ou crédito deve refletir instantaneamente na projeção de liquidez, evitando surpresas.
Tecnologia legada: por que o CNAB atrasa decisões
Criado há décadas, o padrão CNAB segue como base para pagamentos em lote no Brasil. Para Parejo, o modelo impede confirmação imediata de liquidação, fundamental para ajustes rápidos de caixa. A modernização passa por APIs bancárias e soluções alinhadas ao Open Finance do Banco Central, que oferecem respostas em tempo real e maior transparência.
Do operacional à estratégia: redefinindo o papel do CFO
Com automação e IA capazes de compilar dados em segundos, o executivo defende que as equipes financeiras concentrem esforços em cenários de risco, planejamento de capital e suporte às áreas de negócio. “O profissional de finanças deve interpretar tendências, não somar número em planilha”, sintetiza Parejo.
Dados confiáveis antes da automação sofisticada
O líder da Kamino frisa que integrar e padronizar informações vem antes de qualquer projeto avançado de inteligência. “IA não resolve desorganização estrutural”, ressalta. Sem base sólida, mesmo o algoritmo mais robusto produz análises inconsistentes, mantendo o ciclo de retrabalho.
Conciliação manual: o custo invisível que corrói competitividade
À luz dos pontos levantados, o custo de oportunidade da conciliação manual vai além das horas gastas pelo time. A visão atrasada do caixa pode levar a decisões equivocadas sobre investimentos, contratação de crédito ou adiamento de projetos estratégicos. Quanto mais tempo a empresa leva para confirmar a liquidação de pagamentos, maior o risco de manter recursos parados, perder descontos por antecipação ou pagar multas por atrasos não detectados a tempo. Ao migrar para processos automáticos e integração em tempo real, médias empresas liberam capital de giro, reduzem erros e reposicionam o CFO como agente de valor – não apenas como guardião de compliance.
Para continuar acompanhando as atualizações, acesse nossa editoria de Notícias de Finanças.
Descubra mais sobre Finanças KDicas
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.
