No Dia Mundial do Chocolate, celebrado em 7 de julho de 2026, a cadeia produtiva brasileira comemorou novo avanço na produção, que passou de 805 mil toneladas em 2024 para 814 mil toneladas em 2025. O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab), Jaime Recena, avaliou que o consumo interno próximo de 4 kg per capita ainda revela espaço para crescer, enquanto as exportações somaram 37,8 mil toneladas no ano passado e já alcançam 168 destinos.
Produção mantém trajetória ascendente
Segundo a Abicab, o ciclo de crescimento observado nos últimos dois anos deve se prolongar em 2026, cujo balanço final será consolidado apenas no término do exercício. Para Recena, a manutenção do ritmo de expansão é favorecida pelo fato de o Brasil integrar toda a cadeia, do cacau ao produto final, condição que poucos países possuem.
Dados da Kantar/Ibope apontam faturamento de R$ 42,5 bilhões em 2025, impulsionado principalmente por chocolates finos, lançamentos e demanda além da Páscoa. Mesmo com desafios logísticos típicos de um território continental, a oferta chega a todos os 5.568 municípios brasileiros, reforçando a capilaridade do setor.
Consumo per capita indica potencial de mercado
O consumo médio anual de quase 4 kg por habitante ainda fica bem abaixo dos 9 kg a 10 kg registrados em mercados norte-americano e europeu. Para a entidade, há espaço considerável para ganho de participação no próprio mercado doméstico, sem depender apenas de datas sazonais.
Exportações ganham relevância estratégica
De acordo com o ComexStat, as exportações brasileiras de chocolate totalizaram 37,8 mil toneladas em 2025, gerando US$ 210,2 milhões, enquanto as importações ficaram em 19,8 mil toneladas e US$ 227 milhões. Nos três primeiros meses de 2026, o saldo foi de 3 mil toneladas, com 7,7 mil toneladas embarcadas (US$ 47 milhões) contra 4,7 mil importadas (US$ 57 milhões).
O interesse por novos mercados inclui a União Europeia, que ganha fôlego após o acordo Mercosul-UE, e nações árabes, onde as vendas também avançam. Produtos com maior teor de massa de cacau e frutos tipicamente brasileiros vêm sendo promovidos pela Abicab em parceria com a Apex-Brasil há mais de duas décadas, de olho em nichos que valorizam origem e diferenciação.
Empregos se expandem no embalo da Páscoa
As indústrias associadas à Abicab respondem por cerca de 450 mil postos de trabalho. A cada Páscoa, surgem vagas temporárias que, em 2026, saltaram de 9.946 para 14.558 oportunidades, mantendo taxa de efetivação de 30%. Além de funcionar como porta de entrada para mão de obra, o período serve de vitrine para inovações: foram mais de 130 lançamentos em 2026.
Mercado de cacau vive oscilação de preços
Na Bahia, principal produtor nacional, a Cooperativa da Agricultura Familiar e Economia Solidária da Bacia do Rio Salgado e Adjacências (Coopfesba) registrou safra 2024/2025 de 80 mil toneladas vendidas a R$ 1.100 a arroba. Para a próxima colheita, prevista para setembro, agricultores esperam ampliar o valor atualmente tabelado em cerca de R$ 330 a arroba, mas reconhecem a influência direta do clima sobre a cotação.
Valor agregado e sustentabilidade na Bahia Cacau
Criada em 2010 pela Coopfesba, a fábrica Bahia Cacau produz chocolates com 35% a 70% de massa de cacau e já distribui para São Paulo, Rio Grande do Sul, Goiás e Maricá (RJ). A primeira remessa internacional seguiu para Portugal em 2025. O modelo agrega renda a agricultores familiares, promove boas práticas de preservação da Mata Atlântica e oferece sabores com ingredientes regionais, como cupuaçu.
Nova legislação reforça transparência
Sancionada em maio de 2026, a Lei 15.404/2026 estabelece percentuais mínimos de cacau nos chocolates e torna obrigatória a informação do índice total nos rótulos de produtos nacionais ou importados a partir de 7 de maio de 2027. A norma, válida para todos os elos da cadeia, é vista por pequenos produtores como forma de garantir concorrência mais justa e padronizar qualidade.
Impacto financeiro: oportunidade versus volatilidade
Com produção interna crescente e consumo ainda distante de mercados maduros, o setor encontra um duplo caminho para expansão: aumentar o ticket médio do consumidor brasileiro e elevar a participação externa, especialmente onde acordos comerciais reduzem barreiras tarifárias. No entanto, a oscilação do preço do cacau, evidenciada pela queda de R$ 1.100 para R$ 330 a arroba entre safras, impõe risco à margem de fabricantes e agricultores. A aprovação da Lei 15.404/2026 tende a valorizar produtos com maior teor de cacau, criando incentivo para cadeias de suprimento mais eficientes e com remuneração premium, mas quem não conseguir adaptar processos poderá ver seu custo de oportunidade crescer em face da concorrência qualificada.
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