CNI revela: Redução de impostos lidera agenda da indústria

Cni revela: redução de impostos lidera agenda da indústria

Nesta segunda-feira (22), a Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou levantamento feito com 1.003 executivos de empresas de todos os portes, entre 7 de maio e 5 de junho. O estudo aponta que medidas fiscais e tributárias concentram as expectativas do setor para o ciclo presidencial 2027-2030, com destaque para a consolidação da reforma tributária e a diminuição da carga de impostos. A sondagem foi conduzida pela Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados e sugere que a agenda monetarista supera, neste momento, pedidos por novas políticas industriais.

Impostos e reforma tributária dominam pauta 2027-2030

De acordo com a CNI, 29% dos empresários escolheram a redução de impostos e a consolidação da reforma tributária como a necessidade mais urgente para o próximo governo federal. A reivindicação vem na esteira da Emenda Constitucional aprovada em 2023 que alterou a estrutura de tributos sobre consumo, mas cuja regulamentação ainda demanda leis complementares. Na avaliação dos entrevistados, a simplificação do sistema e a diminuição de alíquotas podem destravar investimentos e ampliar a competitividade.

O levantamento também revela que 22% dos executivos consideram o equilíbrio fiscal e a melhoria da gestão pública como prioridade. Para este grupo, respeitar limites de gastos e aprimorar a qualidade do orçamento são fatores essenciais para assegurar previsibilidade macroeconômica. Ainda dentro do top três, 21% apontam o incentivo direto à indústria como pauta principal a ser trabalhada pelo Executivo.

Equilíbrio fiscal supera políticas industriais clássicas

Ao apresentar os resultados, o presidente da CNI, Ricardo Alban, destacou que a sincronia entre política fiscal e monetária é determinante para a eficácia de programas de estímulo à produção. “Quando a política fiscal e a política monetária não conversam entre si, as medidas para estimular o desenvolvimento produtivo se tornam menos efetivas”, afirmou em nota.

Alban reforçou que a indústria se diz pronta para investir, mas cobra um Estado que induza o investimento produtivo e fortaleça a base manufatureira. A fala ecoa a percepção de que, sem um arcabouço fiscal sólido, cortes pontuais de juros ou subsídios podem ter efeito curto. Sobre política monetária, documentos oficiais do Banco Central do Brasil ressaltam a importância da credibilidade fiscal para reduzir prêmios de risco e sustentar a trajetória de queda da Selic. Essa interação reforça a prioridade dada pelos executivos a temas tipicamente fiscais.

Custo Brasil ainda é obstáculo para empresas

Quando questionados sobre o que mais pesa no cotidiano de suas companhias, os entrevistados voltaram a mirar no chamado Custo Brasil. Para 45%, cortar impostos é a política mais relevante para melhorar o ambiente de negócios. Já a redução de juros e maior oferta de crédito aparece em segundo lugar, citada por 26%. Na terceira posição, com 21%, surge novamente o incentivo à indústria e à produção.

Os problemas mais sentidos no último ano corroboram esse diagnóstico: alta carga tributária, indisponibilidade de mão de obra qualificada e juros elevados foram listados como de alto impacto pela maioria dos executivos. O tripé evidencia desafios estruturais que, segundo a CNI, travam ganhos de produtividade e inibem a retomada de um ciclo robusto de investimentos.

Planos de investimento indicam cautela moderada

Mesmo diante dos entraves, a indústria sinaliza disposição em manter ou elevar o ritmo de aportes. Para os próximos quatro anos, 41% dos executivos pretendem preservar o patamar atual de investimentos, enquanto 28% planejam ampliá-los. Por outro lado, 9% admitem reduzir e 20% não pretendem investir no período.

Na leitura da CNI, a fatia que projeta crescimento é expressiva e depende, sobretudo, de um ambiente macroeconômico estável. Já o contingente que não planeja aportar recursos acende alerta: sem avanços consistentes na agenda tributária e na redução de taxas de juros, um quinto do setor pode permanecer à margem da próxima onda de expansão.

Propostas apresentadas a pré-candidatos

Os resultados foram detalhados aos pré-candidatos à Presidência no evento “A Indústria na Agenda dos Presidenciáveis”, também realizado nesta segunda-feira (22). Na ocasião, a entidade defendeu, entre outros pontos, a revisão do Benefício de Prestação Continuada (BPC) e a desvinculação de mínimos constitucionais em saúde e educação — temas que já geram controvérsia entre especialistas das respectivas áreas. Segundo a CNI, tais mudanças abririam espaço orçamentário para acelerar investimentos em infraestrutura e inovação.

Para embasar o debate, a confederação citou relatórios da Secretaria de Orçamento Federal, que apontam rigidez crescente nas despesas obrigatórias. A estratégia da indústria é convencer candidatos de que aliviar amarras fiscais pode liberar recursos para políticas de competitividade sem comprometer a responsabilidade nos gastos.

Como o cenário fiscal pode alterar o custo de oportunidade

Observando os dados da pesquisa, o custo de oportunidade para o empresariado está diretamente ligado à previsibilidade das contas públicas. Se o próximo governo conseguir avançar na consolidação da reforma tributária e garantir disciplina fiscal, o retorno esperado de novos projetos tende a subir, pois o risco de mudanças repentinas em alíquotas ou regras de crédito diminui. Caso contrário, a parcela de executivos que pretende adiar ou cancelar investimentos — hoje somada em 29% — pode crescer, elevando o hiato de produção e reduzindo ganhos de produtividade. Em última instância, a capacidade de o Brasil capturar cadeias globais de valor no período 2027-2030 dependerá da velocidade com que o ambiente fiscal transmita sinal claro de estabilidade.

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