Comércio exterior brasileiro inicia era integrada e inteligente
Comércio exterior brasileiro vive uma virada histórica, impulsionada por tecnologia, reformas tributárias e colaboração inédita entre governo e iniciativa privada, apontam especialistas.
Tecnologia e dados substituem documentos
Tiago Barbosa, idealizador do Portal Único de Comércio Exterior (PUCOMEX), afirma que o setor migra da “lógica documental” para um ambiente orientado por dados, interoperabilidade e inteligência artificial. A Declaração Única de Importação (DUIMP), concebida em 2013, consolida esse modelo ao reduzir atritos e dar previsibilidade às operações.
Superávit robusto e eficiência crescente
Mesmo em cenário global desafiador, o Brasil deve manter saldo positivo. Projeção do Banco Central indica superávit de US$ 62,9 bilhões em 2025 e de US$ 65,7 bilhões em 2026. Em 2024, a corrente de comércio avançou 3,3%, ampliando a fatia brasileira nas exportações mundiais. Barbosa credita o resultado à maturidade do setor e ao ganho de eficiência trazido pelo Portal Único.
Reformas fiscais reduzem custos
A partir de 2027, a nova Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) será recolhida na entrega da carga, aproximando o país de padrões internacionais e liberando capital das empresas. Outro avanço é o PL 215, que permitirá às companhias certificadas como Operador Econômico Autorizado (OEA) pagar tributos até o dia 20 do mês seguinte, gerando “ganho de caixa relevante”, segundo Barbosa.
Inteligência artificial afina o controle aduaneiro
Entre 2016 e 2022, a seleção de cargas pela Receita Federal caiu de 8% para 2,8%, enquanto a arrecadação adicional subiu de R$ 170 milhões para R$ 370 milhões, resultado de sistemas de análise de risco cada vez mais sofisticados. André Barros, CEO da eComex, destaca que robôs e agentes digitais já extraem dados, interpretam documentos e preenchem sistemas governamentais, liberando profissionais para tarefas estratégicas.
ESG deixa de ser vitrine e vira requisito
A obrigatoriedade, a partir de 2027, de reportar riscos climáticos conforme as normas IFRS S1 e S2 colocará fim ao greenwashing, avalia Barbosa. Embora 95% das grandes empresas publiquem relatórios de sustentabilidade, apenas 10% integram efetivamente os critérios ESG às estratégias corporativas. “Sem rastrear carbono, sobretudo o escopo 3, será impossível competir na União Europeia”, alerta Barros.
Capital humano como próximo desafio
Para os especialistas, a etapa mais complexa é humana. “A transformação digital já aconteceu; agora é a transformação de pessoas”, resume Barros. A eComex lançou a comunidade Comex Pulse Comm para formar líderes com pensamento analítico, visão sistêmica e mentalidade sustentável.
O avanço integrado de dados, IA e governança coloca o Brasil em rota de competitividade global, mas o sucesso dependerá da capacidade dos profissionais de conduzir essa transição.
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