Representantes de órgãos contábeis brasileiros e do Departamento de Finanças da Província de Jiangsu se reuniram nesta segunda-feira, 15, em São Paulo, para alinhar práticas de contabilidade, auditoria e supervisão. O encontro, sediado no Conselho Regional de Contabilidade paulista, priorizou a segurança das informações financeiras e a criação de ambiente favorável a investimentos entre Brasil e China.
Diálogo institucional reúne conselhos e instituto de auditoria
Participaram da agenda técnica o Conselho Federal de Contabilidade (CFC), a Academia Brasileira de Ciências Contábeis (Abracicon), o Instituto de Auditoria Independente do Brasil (Ibracon), o CRCSP e o Sescon-SP, além da delegação chinesa responsável por supervisionar a informação contábil em Jiangsu. As equipes detalharam como funcionam a regulação profissional e os processos de fiscalização em cada país.
Padrões internacionais e relatórios de sustentabilidade em pauta
Segundo os representantes, a adoção de normas internacionais de contabilidade e auditoria é decisiva para a comparabilidade dos demonstrativos financeiros em operações transnacionais. A mesa destacou também o crescente peso dos relatórios de sustentabilidade, impulsionados por exigências de transparência e governança corporativa. Empresas inseridas em cadeias globais dependem desses relatórios para reduzir assimetrias de informação perante investidores.
Experiências de supervisão e licenciamento profissional
A delegação de Jiangsu apresentou o modelo local de acompanhamento de firmas contábeis, que inclui licenciamento obrigatório e controle periódico sobre a qualidade dos serviços. Do lado brasileiro, conselhos regionais e entidades de auditoria explicaram a estrutura de registros, exames de suficiência e programas de educação continuada que asseguram a competência dos profissionais.
Os dois grupos analisaram ainda mecanismos de sanção aplicados a empresas ou contadores que descumpram regras, reforçando a importância de sistemas de compliance. Para aprofundar referências, os participantes mencionaram normativos da Comissão de Valores Mobiliários, disponíveis em cvm.gov.br.
Ambiente de negócios bilateral ganha previsibilidade
Com Jiangsu figurando entre as províncias mais industrializadas da China, setores como manufatura, tecnologia e energia movimentam cadeias produtivas diretamente conectadas a fornecedores brasileiros. A qualidade das demonstrações financeiras, portanto, foi tratada como fator essencial para mitigar riscos em contratos, fusões e operações de crédito que envolvem os dois mercados.
O presidente do CFC, Joaquim Bezerra, enfatizou durante a sessão que a cooperação institucional amplia a confiança de investidores internacionais, ao passo que fortalece a imagem profissional da contabilidade nacional. As entidades manifestaram, ao final do encontro, interesse em manter o diálogo e ampliar o intercâmbio de experiências.
Próximos passos da parceria técnica
Os grupos estudam criar grupos de trabalho focados em três frentes: padronização de relatórios de sustentabilidade, aprimoramento de processos de auditoria transfronteiriça e capacitação conjunta de profissionais. A ideia é consolidar boas práticas que permitam, no médio prazo, reduzir custos de conformidade para empresas que atuam simultaneamente nos dois países.
Relevância financeira: custo de oportunidade e transparência
A aproximação traz ganhos diretos para empresas que dependem de capital externo. Quanto maior a uniformidade dos relatórios, menor o custo de due diligence exigido por investidores, liberando recursos que poderiam ser aplicados em inovação ou expansão produtiva. Além disso, a troca de experiências em supervisão reduz o risco de fraudes contábeis, fator que costuma elevar spreads de financiamento. Em um cenário de fluxos comerciais crescentes entre Brasil e China, o alinhamento regulatório eleva a previsibilidade de receitas e protege margens operacionais.
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