Em 9 de abril, o Banco Central informou que clientes de bancos retiraram R$ 482,8 milhões em valores esquecidos somente naquele mês. O Sistema de Valores a Receber (SVR) já liberou R$ 15 bilhões desde a criação, mas ainda há R$ 10,3 bilhões disponíveis. Parte dos recursos foi destinada pelo governo federal ao Desenrola Brasil 2.0, estratégia que poderá ajudar na renegociação de dívidas dos brasileiros.
Corra para resgatar valores esquecidos: R$ 482,8 mi sacados
Devoluções somam R$ 15 bilhões desde o lançamento
Desde que o Banco Central colocou o SVR no ar, em 2022, o sistema vem devolvendo quantias que ficaram paradas em contas encerradas, tarifas indevidas, sobras de cooperativas, consórcios e outros créditos. O balanço divulgado nesta terça-feira (9) indica que, em abril, 41,46 milhões de cidadãos e empresas já haviam sacado algum montante, totalizando R$ 15 bilhões.
Apesar do volume expressivo devolvido, o BC destaca que 50,33 milhões de beneficiários ainda não buscaram seus recursos. A maior parte tem direito a quantias de até R$ 10, o que representa 64,57% dos casos.
Transferência de R$ 5,7 bi para o Desenrola Brasil 2.0
No mês passado, o Ministério da Fazenda direcionou R$ 5,7 bilhões do SVR ao Fundo de Garantia de Operações (FGO). O dinheiro servirá de lastro para renegociar dívidas no Desenrola Brasil 2.0, programa que mira a redução da inadimplência.
Segundo a pasta, a transferência não anula o direito dos titulares aos valores. Um edital de chamamento público vai detalhar como contestar e reaver os créditos. Concluída a publicação, o cidadão terá 30 dias para solicitar a devolução. Caso não o faça, o montante será incorporado em definitivo ao FGO.
Passo a passo para consultar e receber
Para saber se há valores esquecidos, o interessado informa CPF e data de nascimento – ou CNPJ e data de abertura – na página inicial do SVR. Se o sistema apontar saldo, é preciso logar com conta Gov.br nos níveis prata ou ouro, incluindo a verificação em duas etapas.
Existem três formas de resgate:
- Contato direto com a instituição responsável;
- Solicitação manual dentro do próprio SVR;
- Adesão à solicitação automática, recurso que deposita futuros créditos na conta do cidadão sem nova consulta (disponível apenas para pessoas físicas com chave Pix CPF).
Quem tem direito e quanto pode receber
Os créditos contemplam:
- Contas-correntes ou poupanças encerradas;
- Cotas de capital e sobras líquidas de cooperativas de crédito;
- Recursos de consórcios encerrados não procurados;
- Tarifas e parcelas de operações de crédito cobradas indevidamente;
- Contas de pagamento pré ou pós-paga encerradas;
- Registros em corretoras e distribuidoras extintas;
- Outros valores depositados pelas instituições.
Do total de beneficiários pendentes, 23,42% têm entre R$ 10,01 e R$ 100 a receber; 9,91% possuem montantes entre R$ 100,01 e R$ 1 mil; e apenas 2,1% ultrapassam a marca de R$ 1 mil.
Alerta do Banco Central contra golpes
O BC reforça que não envia links nem faz contato direto oferecendo intermediação. Todos os serviços do SVR são gratuitos; portanto, qualquer pedido de pagamento ou solicitação de senha deve ser ignorado. A autarquia orienta a conferir sempre se o endereço eletrônico possui o domínio “gov.br”.
Efeito financeiro: da poupança individual à saúde do crédito
Embora muitos valores sejam pequenos, a soma de R$ 482,8 milhões sacados em um único mês demonstra o potencial do SVR de injetar liquidez no consumo imediato. Para o governo, redirecionar R$ 5,7 bilhões ao FGO cria um colchão de garantias que reduz o risco bancário nas renegociações do Desenrola Brasil 2.0, barateando juros e ampliando a cobertura a inadimplentes. Já para o correntista que deixa de resgatar, há custo de oportunidade: mesmo R$ 10 esquecidos poderiam render em aplicações simples, como Tesouro Selic. Portanto, consultar o sistema e solicitar o crédito evita que o dinheiro fique parado e, no cenário macro, ajuda a circular recursos que estimulam a atividade econômica.
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