A administração federal decidiu, nesta sexta-feira, 24 de julho de 2026, não retomar a subvenção adicional de R$ 0,35 por litro do diesel, apesar da escalada do barril de petróleo para patamares próximos a US$ 100. O anúncio foi feito pelo ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, durante a apresentação do Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas. Segundo ele, o aumento da cotação internacional ainda não gerou pressão suficiente nos preços internos para justificar a volta do benefício.
Diesel: governo mantém R$1,12 e descarta subsídio extra
Estratégia de suavização de preços permanece
Bruno Moretti explicou que o Executivo continuará adotando a chamada “estratégia de suavização”, observando a variação no valor final pago pelo consumidor antes de alterar incentivos. Desta forma, está garantido o subsídio de R$ 1,12 por litro de diesel, mecanismo que já vinha sendo aplicado desde o início do conflito no Oriente Médio. A ajuda complementar de R$ 0,35 — suspensa em 1º de julho — segue fora dos planos imediatos do governo.
Custos fiscais dos incentivos já ultrapassam R$ 5,5 bilhões ao mês
De acordo com o Ministério do Planejamento, o suporte ao diesel representa cerca de R$ 5,5 bilhões mensais, enquanto o subsídio de R$ 0,44 por litro da gasolina custa aproximadamente R$ 1,3 bilhão por mês e foi prorrogado por mais 30 dias. Até junho, a União desembolsou R$ 14,55 bilhões para conter o impacto da volatilidade externa sobre o mercado doméstico de combustíveis, valores liberados via crédito extraordinário — que fica fora do teto, mas conta para a meta fiscal.
Mudança de cenário e manutenção parcial dos incentivos
A retirada progressiva dos subsídios teve início após o cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, período em que o petróleo recuou a níveis pré-conflito. Com a retomada dos ataques, as cotações voltaram a subir e o governo optou por preservar parte dos apoios para evitar repasse imediato aos consumidores finais. Segundo Moretti, caso o quadro internacional se agrave, a manutenção ou ampliação das medidas será reavaliada no próximo relatório bimestral.
Receitas do petróleo ajudam a fechar as contas
O impacto fiscal dos incentivos tem sido parcialmente compensado pela arrecadação sobre a exportação de petróleo bruto, tributada em 12%. A estimativa inicial era levantar R$ 16,5 bilhões em quatro meses; entretanto, como a cobrança foi estendida, a receita adicional ainda não entrou nas projeções oficiais do Orçamento. A equipe econômica mantém, por ora, a previsão de superávit primário de R$ 10,8 bilhões em 2026, conforme detalhado no Relatório Bimestral.
Para conferir o relatório completo do governo, consulte o Ministério do Planejamento e Orçamento.
Bloqueio de despesas continua em vigor
Mesmo com o espaço fiscal de quase R$ 11 bilhões apontado pela área técnica, o Executivo mantém o bloqueio de R$ 17,9 bilhões em despesas discricionárias autorizado pelas novas regras do arcabouço fiscal e pelo Supremo Tribunal Federal. Caso as metas não sejam alcançadas, o recurso padrão será o contingenciamento, afirmou o ministro.
Impacto financeiro: risco residual e custo de oportunidade
Manter a subvenção de R$ 1,12, em vez de reativar o aporte adicional ao diesel, sinaliza que o governo prefere absorver um custo fiscal já elevado, mas previsível, a abrir espaço para novos gastos potencialmente inflacionários. A decisão poupa, no curto prazo, cerca de R$ 0,35 por litro — montante que poderia elevar a despesa mensal em bilhões. Ao mesmo tempo, ao condicionar futuras mudanças ao comportamento do preço ao consumidor, o Executivo reforça o compromisso com a meta de superávit, evitando pressionar ainda mais o bloqueio de despesas. Em termos de oportunidade, cada real não gasto no subsídio extra amplia a margem para investimentos ou diminui a necessidade de contingenciamento, mas deixa o governo exposto a críticas caso o preço do diesel avance rapidamente nas bombas.
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