Levantamento do site de vagas Indeed, divulgado nos últimos dias, mostra como a discussão sobre a escala 6×1 ultrapassa a produtividade e alcança temas como saúde mental, qualidade de vida e expectativas de carreira. O estudo ouviu profissionais de diferentes gerações e revela que 68% não conseguem descansar nas folgas e 64% relatam estresse, ansiedade ou depressão ligados ao modelo atual.
Maioria não desconecta do trabalho nas folgas
Segundo a pesquisa, quase sete em cada dez entrevistados usam o dia de descanso para resolver tarefas pessoais, o que impede o desligamento completo das demandas profissionais. Entre os impactos mais citados estão estresse, ansiedade e depressão, apontados por 64% dos participantes.
Quando questionados sobre como utilizariam um eventual tempo livre adicional, os entrevistados priorizaram atividades ligadas a bem-estar: 49% escolheriam passar mais tempo com familiares e amigos, 39% praticariam exercícios físicos e 37% dedicariam as horas extras ao descanso ou ao sono.
Gerações enxergam a escala de forma distinta
O estudo identificou contrastes entre faixas etárias. Na Geração Z, 61% discordam que o fim da escala 6×1 prejudicaria a economia brasileira, enquanto esse percentual cai para 36% entre os Baby Boomers. Já 46% dos Boomers veem risco econômico na mudança, opinião compartilhada por apenas 25% dos mais jovens.
A forma de aproveitar um eventual tempo livre também varia. Caso a carga fosse reduzida, 38% da Geração Z priorizariam saúde mental, o maior índice entre todas as gerações. Entre Baby Boomers, 27% afirmam que buscariam uma segunda fonte de renda. Para Geração X, Millennials e novamente a Z, a busca de renda extra aparece respectivamente em 18%, 17% e 16% dos relatos.
Recrutamento repensa proposta de valor das vagas
Para Lucas Rizzardo, diretor de vendas do Indeed no Brasil, a diversidade de expectativas exige que empresas revejam estratégias de atração e retenção. A descrição de vagas ganha peso quando deixa claros pontos como jornada, flexibilidade e benefícios de bem-estar, elementos que superam a remuneração na decisão de muitos candidatos.
Na avaliação do executivo, o mercado caminha para um modelo em que “salário não é o único argumento”. O alinhamento de expectativas sobre carga horária, políticas de desconexão e suporte à saúde mental tende a influenciar desde entrevistas até planos de carreira.
Debate se afasta do foco exclusivo na produtividade
Os dados do Indeed corroboram a mudança de enfoque observada por sindicatos e legisladores. Ao discutir a escala 6×1, órgãos públicos têm olhado para a legislação trabalhista e para recomendações de saúde ocupacional que relacionam longas jornadas a quadros de exaustão.
Especialistas apontam que, à medida que tecnologias de automação ganham espaço, a discussão sobre o número de dias trabalhados deve levar em conta custos de absenteísmo e rotatividade motivados por adoecimento mental, fatores que afetam diretamente a produtividade que o modelo busca preservar.
Custo de oportunidade: produtividade ou bem-estar?
Ao manter a escala 6×1, empregadores podem ganhar em horas disponíveis, mas o levantamento sugere um custo oculto: 64% dos profissionais relatam problemas de saúde mental, o que pode elevar afastamentos, reduzir engajamento e aumentar despesas médicas. Na outra ponta, flexibilizar a jornada implicaria reorganizar turnos e possivelmente contratar mais pessoal, porém traria ganhos potenciais em retenção e satisfação interna. Diante do cenário, empresas que avaliam mudanças precisam ponderar se o retorno sobre a produtividade imediata compensa o risco de perda de talentos no médio prazo.
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