Trabalhadores formais com contas em atraso já podem destinar parte do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) à quitação ou amortização de dívidas por meio do Novo Desenrola Brasil, modalidade liberada pelo governo federal. A iniciativa, estimada em até R$ 8,2 bilhões pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), oferece alternativa digital para reduzir a inadimplência e reorganizar o orçamento familiar.
Como funciona a nova opção do Desenrola
A novidade permite empregar até 20% do saldo do FGTS ou, no máximo, R$ 1.000 — prevalecendo o valor mais vantajoso — na renegociação de débitos bancários. O processo é totalmente on-line: o trabalhador concede autorização pelo aplicativo FGTS e, depois, procura os bancos onde mantém pendências para concluir a negociação. Segundo o MTE, a movimentação financeira gerada pode alcançar R$ 8,2 bilhões, aliviando parte do endividamento no país.
Quem pode aderir e quais débitos entram na renegociação
Podem participar empregados com renda mensal de até cinco salários mínimos (R$ 8.105 em 2026) e dívidas contratadas até 31 de janeiro de 2026, em atraso de 91 a 720 dias. O leque inclui operações como cartão de crédito, cheque especial e Crédito Direto ao Consumidor (CDC). O programa ainda define:
- Descontos de até 90% concedidos pelas instituições financeiras;
- Taxa de juros máxima de 1,99% ao mês para o novo contrato;
- Parcelamento entre 12 e 48 meses se o saldo do FGTS não for suficiente para quitação total;
- Possibilidade de consolidar diferentes dívidas numa única operação.
Para conferir as diretrizes oficiais, o trabalhador pode acessar o portal do Ministério do Trabalho e Emprego em gov.br/trabalho-e-emprego.
Passo a passo para autorizar o uso do FGTS digitalmente
O primeiro movimento é liberar, no app FGTS (Android ou iOS), o compartilhamento de informações com os bancos credores. A autorização exige login pelo CPF e conta Gov.br. Depois disso:
- O banco selecionado consulta o saldo autorizado por até 90 dias.
- São apresentadas as propostas de desconto, juros e prazo definidas pela instituição.
- O trabalhador aceita as condições e confirma o uso do percentual do FGTS.
- A Caixa Econômica Federal registra a transação e transfere o valor diretamente ao banco credor.
Tudo ocorre sem necessidade de ir a uma agência da Caixa, tornando a adesão mais ágil e econômica.
O que muda após concluir a operação
Concluída a renegociação, há suspensão temporária de novos saques-aniversário e da antecipação desse benefício até que o valor utilizado seja recomposto. Mesmo assim, especialistas recomendam avaliar se o desconto e a taxa oferecidos compensam a imobilização parcial do FGTS. O período para formalização completa da operação é de até 30 dias depois da consulta ao saldo.
Profissionais de contabilidade e consultores financeiros podem auxiliar trabalhadores a verificar a elegibilidade das dívidas, comparar propostas e planejar o pagamento das parcelas, evitando nova inadimplência.
Impacto financeiro e custo de oportunidade
A liberação de até R$ 1.000 ou 20% do FGTS tende a diminuir pressões imediatas de juros mais altos, como os do cartão de crédito. Contudo, o trabalhador abre mão, temporariamente, da rentabilidade do fundo e da flexibilidade de futuros saques-aniversário. Assim, vale ponderar: a economia obtida com descontos de até 90% e juros de 1,99% ao mês supera o rendimento do FGTS e a reserva para emergências? Se a resposta for positiva, a adesão pode representar um alívio relevante no fluxo de caixa doméstico, além de melhorar o histórico de crédito e facilitar novos financiamentos.
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