O Brasil ficou na 49ª posição do Global Passport Index 2026, levantamento da Global Citizen Solutions que avalia 199 nações segundo mobilidade internacional, atratividade a investimentos e qualidade de vida. Embora o documento brasileiro garanta bom acesso a diversos destinos, a pesquisa aponta entraves econômicos e tributários que ainda limitam a competitividade do País, segundo análise da tributarista Camila Oliveira.
Brasil avança em mobilidade, mas perde pontos em ambiente de negócios
Dentro da América Latina, o passaporte brasileiro alcançou a segunda colocação no estudo. O bom desempenho em livre circulação reforça a relevância da política externa e a percepção de estabilidade diplomática. Porém, o índice evidencia gargalos no ambiente econômico que afastam investidores, principalmente pela complexidade tributária e pela burocracia para abertura e manutenção de empresas.
Passaporte como termômetro da credibilidade institucional
Para a contadora e especialista em tributação Camila Oliveira, citada no relatório, a força de um passaporte vai além do turismo. “Ele revela como o país é percebido em termos de confiança, estabilidade institucional e relacionamento diplomático”, explica. Essa visão impacta diretamente a circulação de empresários, profissionais qualificados e capital estrangeiro, itens determinantes para o crescimento sustentado.
Interdependência entre mobilidade e sistema tributário
Segundo a tributarista, mobilidade internacional, segurança jurídica e estrutura de impostos formam um tripé decisivo na hora de escolher onde investir. O investidor busca previsibilidade, garantia de cumprimento de contratos e regime fiscal claro. Países que entregam essas condições conseguem captar recursos com maior facilidade.
Oliveira destaca que não se trata apenas do valor da alíquota, mas do chamado “custo de conformidade” — tempo e dinheiro gastos para entender e cumprir regras fiscais. Mudanças frequentes na legislação ampliam a incerteza e reduzem a atratividade, criando um círculo vicioso que afeta a posição brasileira em rankings globais.
Reforma Tributária pode melhorar o posicionamento brasileiro
A especialista aposta que a Reforma Tributária, em discussão no Congresso, pode reduzir o Custo Brasil ao simplificar tributos sobre o consumo e diminuir a cumulatividade. Entretanto, ela alerta que a verdadeira virada de chave virá da previsibilidade: “Mais do que pagar menos, o investidor quer clareza de regras”, pontua.
Informações oficiais sobre a proposta de reforma podem ser consultadas no portal da Receita Federal, que atualiza os textos e as fases de implementação.
Planejamento tributário internacional: etapa obrigatória na expansão
Com a atuação global de companhias brasileiras, cresce a necessidade de análise prévia de preços de transferência, acordos para evitar bitributação e obrigações acessórias em cada jurisdição. A falta de planejamento resulta em custos inesperados, multas e perda de competitividade frente a players de países com sistemas mais simples.
Competitividade atrelada à qualidade de vida e investimento externo
O Global Passport Index combina mobilidade, atratividade a investimentos e qualidade de vida. Países que sobressaem nesses quesitos tendem a apresentar inovação, segurança jurídica e ambiente de negócios dinâmico. A colocação brasileira reflete avanços diplomáticos, mas reforça a urgência de ajustes estruturais.
Impacto financeiro da mobilidade na estratégia empresarial
Do ponto de vista corporativo, um passaporte forte reduz custos operacionais, pois executivos e técnicos circulam com menos barreiras, acelerando tomadas de decisão e implantação de projetos. Ao mesmo tempo, sistemas tributários confusos elevam despesas administrativas e desestimulam novos aportes. No caso brasileiro, a vantagem na mobilidade pode ser neutralizada se a prometida reforma não entregar simplificação e estabilidade. O custo de oportunidade, portanto, reside em alinhar liberdade de circulação com um regime fiscal competitivo antes que empresas realoquem investimentos para destinos mais previsíveis.
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