Com a proximidade do prazo final para a declaração de 2026, uma nova onda de ataques cibernéticos altamente sofisticados está mirando o contribuinte brasileiro através do medo e do senso de urgência.
Criminosos digitais têm utilizado táticas de engenharia social para simular notificações oficiais da Receita Federal, prometendo descontos irreais em multas ou ameaçando o cancelamento imediato do CPF.
O objetivo central é induzir o pagamento de guias falsas ou capturar as credenciais da conta Gov.br, que hoje centraliza quase toda a vida financeira e pessoal do cidadão no ambiente digital.”
Notificação falsa promete desconto total em juros e multas
Durante o período de entrega da declaração, criminosos intensificam mensagens de phishing que alegam “irregularidades” no Imposto de Renda. Segundo a Kaspersky, a mais recente campanha encaminha ao contribuinte um e-mail que simula uma pendência fiscal e oferece desconto de 100% sobre juros e multas, condicionando o pagamento a um prazo máximo de dois dias. O boleto, no entanto, direciona o dinheiro para contas de terceiros.
Com o argumento de evitar a malha fina ou a inclusão do CPF na dívida ativa, os fraudadores criam senso de urgência e evitam que a vítima verifique a informação nos canais oficiais. Ao final, o contribuinte perde o valor pago e permanece com a situação real ainda indefinida perante o Fisco.
Credenciais do Gov.br viram alvo lucrativo de cibercriminosos
Fabio Assolini, diretor da equipe global de pesquisa e análise da Kaspersky para América Latina e Europa, destaca que o período do IR é propício para roubo de credenciais do Gov.br. “A perda do acesso ao Gov.br representa um prejuízo considerável para a vítima, como o acesso indevido a informações pessoais e financeiras e a realização de fraudes em nome do contribuinte”, afirma.
Os dados vinculados à conta Gov.br incluem a declaração pré-preenchida, histórico de restituições e serviços de governo eletrônico. Isso torna o login altamente valioso para quadrilhas especializadas em fraude bancária e abertura de contas falsas.
Falsos sites do PGD e do app Meu Imposto de Renda distribuem malware
Além dos e-mails enganosos, golpistas criam páginas idênticas ao site da Receita Federal para oferecer o download do Programa Gerador da Declaração (PGD) ou do aplicativo Meu Imposto de Renda. O contribuinte que instala esses arquivos fora das lojas oficiais (App Store e Google Play) ou do domínio gov.br pode infectar computador e celular com malwares que capturam senhas e dados bancários.
Até abril, a Kaspersky já havia bloqueado 61 domínios maliciosos ligados ao IR. A empresa alerta que o endereço do site oficial da Receita (receita.economia.gov.br) deve ser digitado manualmente no navegador, evitando qualquer link recebido por e-mail, SMS ou rede social.
Fraudes miram também MEIs com a DASN-Simei
Microempreendedores Individuais são outro público visado. E-mails falsos sobre a declaração anual DASN-Simei costumam citar “vencimento imediato” ou “irregularidades graves” para induzir o pagamento de guias falsas. O prazo legal para enviar a DASN-Simei termina todo 31 de maio, e qualquer taxa deve ser consultada exclusivamente no portal do Simples Nacional.
Golpes pós-declaração exploram medo da malha fina
Depois de 31 de maio, surgem mensagens que informam supostas divergências encontradas pela Receita Federal. Os criminosos solicitam depósito de multas ou pedem dados pessoais para “liberar” a restituição. A Receita, contudo, não envia cobranças por e-mail nem exige preenchimento de formulários externos para regularização.
Como declarar com segurança e evitar golpes no imposto de renda
A Receita Federal oferece três canais oficiais para o envio do IR:
• Programa IRPF (PGD): download gratuito apenas no site oficial da Receita.
• Meu Imposto de Renda (online): acesso pelo navegador mediante certificado digital ou código de acesso.
• Aplicativo Meu Imposto de Renda: disponível gratuitamente na App Store (iOS) e Google Play (Android).
O contribuinte deve ainda manter o antivírus atualizado, usar senhas fortes e diferentes para cada serviço, e evitar redes Wi-Fi públicas na hora de transmitir informações fiscais.
Dupla autenticação e nível ouro reforçam a conta Gov.br
Para prevenir invasões, Assolini recomenda habilitar a verificação em duas etapas no Gov.br. Assim, toda tentativa de login exige código gerado no aplicativo. Outra dica é elevar o perfil ao nível ouro, que solicita reconhecimento facial ou certificação digital, adicionando mais camadas de segurança.
O veredito: Por que ainda caímos em golpes de Imposto de Renda?
Análise da Redação: A engenharia social por trás do medo
O sucesso desses golpes não reside apenas na tecnologia dos hackers, mas na engenharia social aplicada contra o contribuinte. Ao utilizar termos como ‘irregularidade grave’ ou ‘cancelamento de CPF’, os criminosos desativam o filtro crítico da vítima através do medo. É fundamental entender que a Receita Federal é um órgão de rito burocrático: ela não utiliza o imediatismo de ‘prazo de 48 horas’ via e-mail para resoluções fiscais.
Para o cidadão, a regra de ouro em 2026 é a desconfiança digital. Se você recebeu um alerta, nunca clique no link da mensagem. O caminho seguro é sempre fechar o e-mail, abrir o navegador e digitar manualmente o endereço do portal e-CAC. Qualquer pendência real estará listada lá, de forma oficial e sem o tom ameaçador típico das quadrilhas digitais.
Práticas essenciais para não cair em golpes
• Desconfie de mensagens que prometem restituições imediatas ou descontos integrais.
• Confira sempre o endereço de e-mail do remetente; a Receita não envia anexos de pagamento.
• Acesse o site da Receita digitando o endereço no navegador, nunca por links recebidos.
• Não informe CPF, senhas ou dados bancários em páginas desconhecidas.
• Mantenha antivírus e aplicações do sistema operacional atualizados.
Respeitar essas orientações reduz significativamente o risco de fraudes durante todo o processo de declaração e posterior acompanhamento da restituição.
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