Ibovespa salta com IPCA menor e dólar recua: veja números
A sexta-feira, 10 de julho de 2026, terminou com forte otimismo no mercado brasileiro. Impulsionados por um Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) abaixo do previsto, os ativos domésticos ganharam tração: o Ibovespa avançou quase 3%, cravando o maior nível desde maio, enquanto o dólar voltou à faixa de R$ 5,10. O movimento coincidiu com expectativas de cortes adicionais na Selic e ocorreu apesar da tensão entre Estados Unidos e Irã no cenário externo.
IPCA abaixo do esperado reacende aposta na Selic
O dado que desencadeou a onda compradora foi o IPCA de junho, divulgado na manhã de sexta-feira. A inflação oficial subiu 0,16% frente a 0,58% em maio, bem aquém das estimativas de analistas. No acumulado de 12 meses, o índice atingiu 4,64%. O número reforçou a percepção de que o Banco Central do Brasil poderá cortar a taxa Selic já na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de agosto, medida vista como alavanca para valorizar ações ao baratear o custo de capital e aumentar o valor presente dos fluxos de caixa futuros.
Bolsa atinge pico de dois meses
Em resposta, o Ibovespa saltou 2,97%, encerrando a sessão a 177.866,37 pontos, maior patamar desde 14 de maio e na máxima do dia. Foi a terceira semana consecutiva de ganhos, com alta acumulada de 2,18% no período, 3,40% em julho e 10,39% em 2026. O giro financeiro totalizou R$ 24,99 bilhões e, dos 79 papéis do índice, apenas um recuou.
Setores mais sensíveis a juros lideraram: varejo, construção e tecnologia avançaram acima da média, refletindo o alívio nas curvas de rendimento futuras. Companhias exportadoras também se beneficiaram, ainda que o real tenha mostrado firmeza, pois os preços de commodities permanecem elevados em meio à volatilidade geopolítica.
Dólar cai pela terceira sessão seguida
No câmbio, o dólar à vista depreciou 0,31%, encerrando a R$ 5,108, menor fechamento desde 16 de junho. Na mínima intradiária, chegou a R$ 5,098. Foi a terceira queda consecutiva, levando a moeda norte-americana a acumular baixa de 1,18% na semana, 1,06% em julho e 6,94% em 2026.
Além do efeito da inflação mais branda, o real acompanhou o desempenho de pares emergentes num ambiente de maior apetite por risco. Mesmo com o prolongamento das hostilidades no Oriente Médio, a perspectiva de cortes de juros em economias desenvolvidas e sinais de desaceleração controlada nos Estados Unidos estimularam a migração para moedas de maior rendimento.
Petróleo recua, mas acumula semana positiva
Os contratos do petróleo Brent cederam 0,38%, para US$ 76,01 o barril, no segundo dia seguido de baixa. O movimento contrastou com o avanço semanal de 5,39%, sustentado por preocupações com a oferta diante dos ataques no Estreito de Ormuz — rota que escoa cerca de 20% do petróleo global. O WTI caiu 0,93%, fechando a US$ 71,41.
Operadores monitoram de perto as negociações entre Estados Unidos e Irã. Qualquer escalada que interrompa totalmente o tráfego marítimo no corredor pode pressionar novamente as cotações e contaminar expectativas inflacionárias mundo afora.
Resumo dos principais indicadores
- Ibovespa: +2,97% (177.866,37 pts)
- Dólar à vista: -0,31% (R$ 5,108)
- Petróleo Brent: -0,38% (US$ 76,01)
Cenário de juros mais baixos reforça custo de oportunidade
Com a inflação moderando e a sinalização de quedas adicionais na Selic, o custo de oportunidade para quem mantém recursos em renda fixa tende a diminuir. Se o Copom confirmar um corte em agosto, ativos de risco como ações e crédito privado devem ganhar atratividade. Ao mesmo tempo, a descida dos juros pode aliviar o serviço da dívida das empresas listadas, fortalecendo margens e estimulando revisões de lucro. Investidores, porém, precisam ponderar a volatilidade externa: tensões geopolíticas e sinais de desaceleração global ainda podem ressurgir como fontes de pressão sobre câmbio e commodities.
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