O Itaú BBA vê o setor de vestuário como destaque positivo no primeiro semestre de 2025 e já definiu sua aposta para os próximos meses. Em relatório publicado nesta segunda-feira (21), o banco de investimentos manteve recomendação de compra para as ações da C&A (CEAB3) e fixou preço-alvo de R$ 21 para dezembro.
Segundo os analistas, receitas robustas, margens brutas sólidas e concorrência externa menos intensa impulsionaram o desempenho das varejistas de moda no início do ano. Esse cenário levou a revisões de lucro para 2026: Lojas Renner (LREN3) passou a negociar a 11,7 vezes o preço sobre lucro (P/L), C&A a 10 vezes e Guararapes (GUAR3) — controladora da Riachuelo — a 7,9 vezes, já considerando benefícios de ICMS e créditos fiscais.
Por que a C&A é a preferida
O BBA avalia que, se a C&A reduzir a diferença de produtividade em lojas físicas em relação à Renner, seu lucro pode subir até 56% já em 2025 sem aumento proporcional de despesas. Hoje, a Renner é 24% mais eficiente nesse quesito; adicionando vendas online e a categoria de beleza, a vantagem da concorrente chega a 38%.
Fechar também essa segunda lacuna poderia quase dobrar o resultado da C&A, elevando o lucro em cerca de 92%. Para o banco, a disciplina de custos demonstrada pela companhia nos últimos dois anos sustenta essa projeção.
Lojas Renner: desempenho forte, mas cautela mantida
Depois de um fim de 2024 complicado, a Renner surpreendeu no primeiro semestre de 2025: as receitas superaram estimativas e as margens permaneceram consistentes, mesmo sob pressão cambial. O BBA elevou em 15% a expectativa de lucro para 2026, mas manteve a recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 19 para 2025. O banco pondera que parte da melhora veio de fatores macroeconômicos e que a ação já acumula alta de cerca de 50% no ano, operando com prêmio sobre os pares.
Guararapes: potencial a preço descontado
A Guararapes segue com indicação de compra e preço-alvo de R$ 12 para dezembro. A empresa apresentou crescimento de receita mesmo com menor exposição ao inverno — 20% de suas lojas ficam no Nordeste — e se destacou pela resiliência da margem bruta. Esse desempenho levou a uma revisão positiva de 40% na projeção de lucro para 2026. Com P/L de 8 vezes, é a ação mais barata entre as três cobertas pelo relatório.
O Itaú BBA ressalta que os dois próximos meses serão decisivos para medir a força do segmento e calibrar as estimativas de 2026. Até lá, a C&A permanece como a principal aposta do banco no universo de moda na B3.
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