O setor de bens de alto padrão atravessa uma fase de desaceleração provocada por incertezas macroeconômicas e menor apetite do consumidor em mercados estratégicos, como a China. Para mitigar o impacto, grifes tradicionais têm expandido a atuação para segmentos como restaurantes, cafés e hotéis, revela o estudo “O luxo em mutação: desafios atuais e caminhos para o futuro”, da KPMG.
Diversificação mira novos clientes
Segundo a pesquisa, 41% dos executivos consultados veem na diversificação a principal forma de atrair públicos inéditos e ampliar a visibilidade das marcas. A estratégia já resultou na abertura do Blue Box Cafe, da Tiffany, em shopping de São Paulo; no restaurante da Gucci em Florença; e em unidades hoteleiras assinadas pela Bvlgari. Essas iniciativas buscam replicar, em experiências gastronômicas ou de hospedagem, o padrão de exclusividade associado a bolsas, joias e roupas.
Exigência de qualidade eleva custos e riscos
A expansão, porém, impõe desafios. Fernando Gambôa, sócio da KPMG, observa que o consumidor espera dos novos serviços o mesmo nível de excelência de um item de marroquinaria. “Qualquer falha compromete um patrimônio construído ao longo de décadas”, alerta. Adriana Stecca, também sócia da consultoria, acrescenta que a dispersão de portfólio pode reduzir a autoridade da marca em seu produto principal, abrindo espaço para concorrentes especializados.
Relógios, joias e ultra luxo mostram resiliência
Apesar do cenário adverso, três subcategorias mantêm desempenho positivo: ultra luxo, relojoaria e joalheria. A Hermès, ícone do segmento, reportou alta de 9% nas vendas do segundo trimestre de 2025, contrariando a tendência de grupos como LVMH, Prada e Kering. Analistas relacionam a resiliência ao controle de oferta, à percepção de valor de longo prazo e ao uso de matérias-primas cotadas em mercado, como ouro e diamantes.
Para a KPMG, a revitalização do setor depende de equilibrar inovação com os pilares históricos do luxo: qualidade artesanal, criatividade singular e experiência diferenciada. A consultoria conclui que, ao diversificar, as maisons precisam assegurar que cada novo serviço carregue o mesmo grau de exclusividade que tornou suas criações desejadas.
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