Multas do CRC-GO disparam e mudam foco da fiscalização
Entre 2024 e 2025, o Conselho Regional de Contabilidade de Goiás (CRC-GO) intensificou o combate a práticas irregulares na profissão, aplicando 285 penalidades que totalizaram R$ 558.115,40 em multas. O balanço divulgado pelo órgão mostra redução no número de autuações, mas elevação expressiva no valor médio das multas, sinalizando endurecimento sobre infrações consideradas mais graves.
Fiscalização ampara-se na Resolução CFC nº 1.603/2020
A atuação do CRC-GO segue diretrizes da Resolução CFC nº 1.603/2020, que estabelece normas de fiscalização do exercício da contabilidade. Amparado por esse regulamento, o Conselho goiano manteve ações constantes para coibir o exercício ilegal da profissão e proteger a sociedade contra demonstrações contábeis sem respaldo técnico.
Dados oficiais apontam que, somente em 2024, foram lavradas 164 autuações, gerando R$ 235.287,70 em multas. Já em 2025, o volume caiu para 121 processos, mas o valor arrecadado saltou para R$ 322.827,70 — acréscimo de 37,20% em relação ao ano anterior.
Principais infrações identificadas em 2024
No primeiro ano do biênio analisado, exploração de atividades contábeis sem registro cadastral liderou o ranking de irregularidades, com 44 casos e R$ 64.946,00 em multas. Outras ocorrências relevantes incluíram:
- 35 penalidades por manter organização contábil sem registro (R$ 32.575,00);
- 25 ocorrências de exercício de função contábil sem registro profissional (R$ 36.740,00);
- 12 casos de atividades privativas da contabilidade executadas por leigos (R$ 61.720,00).
Esses números revelam que o foco da fiscalização esteve na formalização de escritórios e no registro dos profissionais envolvidos.
Endurecimento sobre exercício profissional em 2025
O cenário se inverteu em 2025. Apesar das 43 infrações a menos, o exercício de atividades contábeis sem registro profissional passou a ser a maior preocupação: 20 casos resultaram em R$ 107.965,00 em multas — valor 193% superior ao aplicado para a mesma infração no ano anterior.
Outras irregularidades frequentes incluíram:
- 12 penalidades a organizações contábeis sem registro (R$ 22.260,00);
- 12 autuações por descumprimento de prazos fixados pelo Conselho (R$ 7.856,00);
- 9 ocorrências de exploração irregular por empresa sob forma de organização contábil (R$ 21.320,00);
- 6 casos de organização contábil sem registro, ainda que composta por profissional habilitado (R$ 28.756,00).
O resultado consolida a estratégia de punir com mais rigor quem atua sem habilitação, movimento alinhado a iniciativas federais de combate à informalidade, como as que constam no portal da Receita Federal.
Comparação ano a ano evidencia mudança de foco
De 2024 para 2025, o número de autuações caiu 26,21%, mas o valor total das multas subiu 37,20%. O salto reflete:
- Prioridade a infrações ligadas ao exercício profissional sem registro;
- Multas mais altas para aumentar o efeito dissuasório;
- Redução de processos menos graves, como problemas cadastrais simples.
Na prática, o CRC-GO manteve esforço para disciplinar o mercado, mas canalizou recursos para sanar riscos diretos à credibilidade da classe contábil, reforçando a importância de registro ativo e de ambientes empresariais regulares.
Análise: impacto financeiro e custo de oportunidade para o profissional
Os dados sugerem que atuar sem registro ou em escritórios não habilitados ficou significativamente mais caro. Com a multa média subindo, o custo de oportunidade de se regularizar tornou-se menor que o risco financeiro de permanecer na informalidade. Para profissionais recém-formados, por exemplo, a anuidade do Conselho tende a ser inferior a penalidades que já ultrapassam R$ 100 mil em casos graves. Isso pressiona a formalização e fortalece barreiras de entrada ilegais, beneficiando escritórios que mantêm conformidade.
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