Em maio de 2026, um estudo aplicado on-line com 518 profissionais brasileiros que já utilizam inteligência artificial no dia a dia de trabalho revela uma inflexão curiosa: a tecnologia deixou de ser vista apenas como acelerador de tarefas e passou a ser instrumento de equilíbrio pessoal. Embora a IA prometa eficiência, três em cada dez entrevistados afirmam que destinariam o tempo poupado à saúde física e mental, enquanto quase um quarto pretende aproveitar o intervalo extra com familiares e amigos.
Pesquisa aponta brasileiros usando IA para bem-estar
Bem-estar e relações pessoais dominam a lista de prioridades
O levantamento, conduzido pela Read AI, indica que 30% dos participantes usariam a folga gerada pela automação para aprimorar o bem-estar físico e mental. Em seguida, 24% dizem que estariam mais presentes na companhia de parentes e amigos. Descansar e aprender novas habilidades aparecem empatados, cada um citado por 23% dos respondentes.
Essas escolhas surgem em meio a debates como a jornada 6×1, que recoloca o valor do tempo livre em pauta. Ao mesmo tempo, o mundo corporativo observa que a IA, longe de ser apenas uma calculadora de produtividade, pode abrir novas janelas para a qualidade de vida.
Eficiência substituída por novas demandas, apontam 75% dos profissionais
Apesar das vantagens anunciadas, o ambiente de “disponibilidade constante” permanece. Setenta e cinco por cento relatam que os minutos economizados pela IA logo são tomados por novas tarefas, demonstrando que o ritmo de trabalho segue acelerado. Reuniões longas, notificações sucessivas e plataformas desconectadas permanecem como focos de desgaste, reforçando a importância de soluções que ofereçam clareza, foco e equilíbrio.
Segundo David Shim, CEO e cofundador da Read AI, “A discussão sobre IA tem se concentrado principalmente na eficiência, mas os trabalhadores estão nos dizendo algo ainda mais importante”. Para o executivo, tecnologias capazes de participar de reuniões e destacar decisões relevantes devolvem tempo estratégico aos profissionais.
IA deixa de ser assistente passiva e torna-se colega de equipe
Um quarto dos entrevistados já sente que trabalha “lado a lado” com soluções de IA; outros 22% estão confortáveis em permitir que algoritmos concluam certas tarefas de forma autônoma. O movimento aponta para uma transição do modelo assistente—que apenas responde perguntas—para o agente—que antecipa necessidades e integra fluxos de trabalho.
No entanto, nem tudo é simples: 54% acham mais cansativo revisar textos gerados por IA do que escrever do zero. O dado sinaliza a demanda por sistemas capazes de transformar dados brutos em insights acionáveis e concisos, reduzindo a sobrecarga cognitiva.
Lacuna de capacitação desafia adoção acelerada
Enquanto empresas implantam ferramentas cada vez mais sofisticadas, 34% dos profissionais não receberam qualquer treinamento em IA, embora desejem aprender. O percentual é menor que o registrado em 2025, sugerindo avanço na oferta de recursos, mas ainda distante de atender a todos.
Como reforço ao debate, o Ministério do Trabalho e Emprego mantém programas de qualificação em tecnologias digitais, ressaltando a importância de alinhar inovação à preparação da mão de obra.
Perfil da amostra reforça diversidade etária e de gênero
A pesquisa envolveu respondentes de todas as regiões do país. Do total, 34% têm entre 18 e 34 anos, 48% estão na faixa de 35 a 54 anos e 9% têm mais de 55 anos. Quanto ao gênero, 53% identificam-se como mulheres e 47% como homens, indicando participação equilibrada na discussão sobre IA e bem-estar.
Tendência de bem-estar pode mexer com estratégias de RH
Do ponto de vista de custo de oportunidade, cada hora liberada pela automação poderia significar redução de absenteísmo e ganho de criatividade, desde que não seja imediatamente preenchida por novas exigências. Ao priorizar iniciativas de saúde mental e flexibilidade, empresas podem transformar a eficiência em valor tangível: menor rotatividade, maior engajamento e produtividade qualitativa. Já os empregadores que simplesmente acumularem tarefas sobre tempo “liberado” correm o risco de esgotar o capital humano, anulando o retorno do investimento em IA.
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