Piloto do sistema IBS sem software irrita setor de TI

Piloto do sistema ibs sem software irrita setor de ti

Piloto do sistema IBS sem software irrita setor de TI

Piloto do sistema IBS iniciou-se em 5 de janeiro de 2026 com 123 empresas, mas nenhuma desenvolvedora de software, fato que gerou forte reação da Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES).

TI fora do projeto-piloto

Em nota, o diretor de relações governamentais da ABES, Marcelo Almeida, classificou a exclusão como “erro estratégico” da Receita Federal. Segundo ele, a entidade apresentou lista com 23 companhias dispostas a participar da fase de testes, porém todas ficaram de fora.

O piloto, que durará três meses, envolve grandes corporações como Claro e Samsung e pretende validar, em ambiente controlado, o novo modelo digital de apuração do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), pilar da Reforma Tributária que entra em vigor em 2027.

Mudanças técnicas em curso

Além da ausência de software houses, o setor aponta riscos adicionais, como a adoção do CNPJ alfanumérico prevista para junho de 2026. A inclusão de letras no número de identificação exigirá ajustes em bases de dados, ERPs e sistemas integrados, pressionando prazos de adaptação.

Almeida lembra que a última reunião entre TI, Receita Federal e Serpro ocorreu no fim de dezembro de 2025, sem que regras técnicas claras fossem apresentadas. “Precisamos trabalhar rápido; sem especificações, não há como construir o sistema”, afirmou.

Cobrança por participação imediata

A ABES solicitou reunião emergencial com o Fisco para garantir a participação de empresas de software no ambiente de testes. Para a entidade, a exclusão compromete a confiabilidade do piloto, eleva o risco de retrabalho e pode atrasar a implementação definitiva do IBS.

Outro ponto de preocupação é a baixa adesão das prefeituras: pouco mais de 10% participam dos testes conduzidos pelo Serpro, cenário que agrava a falta de integração entre entes federativos e setor privado.

“Sem empresa de software, o piloto não trará resultado; serão três meses perdidos”, advertiu Almeida, ao lembrar que a entrada em produção do novo tributo é determinação constitucional. “Se não contribuirmos na largada, corrigiremos na saída, o que será muito pior”.

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