A proximidade da fase de transição para o novo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e para a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) pressiona as empresas brasileiras. Levantamento da NTT DATA, que consultou líderes de mais de mil organizações em 20 estados, indica que 41% delas ainda não definiram como adequar processos, sistemas e equipes. Especialistas alertam que o período inicial tende a ser mais complexo, exigindo mudanças em áreas que vão da TI ao financeiro.
Pesquisa revela incertezas sobre a fase de transição
Segundo o estudo, a principal preocupação dos entrevistados recai sobre o momento em que o modelo atual conviverá com o IVA Dual – combinação de CBS e IBS. Enquanto a proposta oficial objetiva simplificar a tributação sobre o consumo, o curto prazo sinaliza maior volume de ajustes operacionais. Falhas na adaptação podem elevar riscos de autuações e comprometer créditos tributários.
Sistemas de gestão no centro do desafio
Entre as dúvidas mais citadas está a atualização dos ERPs. Os programas precisarão gravar corretamente alíquotas, preencher novos campos em documentos fiscais e acompanhar as notas técnicas emitidas pelos órgãos competentes. De acordo com o levantamento, organizações que mantiverem processos manuais ou softwares desatualizados estarão mais expostas a erros em notas fiscais e a penalidades durante a transição.
Impacto vai além do departamento fiscal
Especialistas apontam que a Reforma Tributária provocará mudanças abrangentes. Setores de compras, comercial, logística, controladoria e até o fluxo de caixa sofrerão impacto direto. A revisão de contratos com fornecedores e clientes, a formação de preços e o aproveitamento de créditos tributários dependerão da regularidade de todas as etapas da cadeia produtiva.
Atualização cadastral é peça-chave
Revisar cadastros de produtos e serviços é considerado passo obrigatório. A lógica de créditos muda: qualquer inconsistência em classificação fiscal ou parametrização poderá bloquear valores a receber. Segmentos com operações complexas — como transporte, indústria, importação e exportação — tendem a sentir os reflexos de forma mais intensa.
Recomendação dos especialistas
Consultores sugerem que as companhias iniciem um plano estruturado imediatamente, mesmo antes da publicação de todas as normas infralegais. Entre as medidas indicadas estão:
- Mapear processos afetados pela CBS e IBS;
- Treinar equipes multidisciplinares, incluindo TI e financeiro;
- Estabelecer cronogramas de testes em ambiente de homologação dos ERPs;
- Acompanhar rotineiramente atos complementares publicados pela Receita Federal.
Contadores assumem papel estratégico
À medida que o cronograma avança, escritórios de contabilidade deixam de atuar apenas no cumprimento de obrigações acessórias. Eles passam a apoiar decisões sobre formação de preços, planejamento tributário e adequação de processos internos. Para especialistas ouvidos pela consultoria, empresas que iniciarem a preparação com antecedência reduzirão riscos operacionais e financeiros.
O custo de não agir agora
A pesquisa da NTT DATA destaca que o maior entrave não é compreender a lei, mas atualizar práticas internas. Postergar investimentos em sistemas e treinamentos pode gerar dois impactos imediatos: perda de créditos — que afeta o caixa — e aumento de passivos fiscais. Em um cenário de margens apertadas, cada autuação ou retrabalho consome recursos que poderiam ser direcionados à inovação ou expansão. Assim, preparar-se antes da virada representa economia real e vantagem competitiva.
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