Impulsionado principalmente por transportes e turismo, o setor de serviços brasileiro avançou 1,2% de março para abril de 2026, segundo a Pesquisa Mensal de Serviços divulgada nesta quinta-feira (11) pelo IBGE. É o primeiro resultado positivo após uma sequência de cinco meses de estagnação ou retração, devolvendo o nível de atividade ao patamar registrado no fim de 2025.
Setor de serviços reage e anota maior alta em 6 meses
Panorama geral da pesquisa
Os números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram crescimento de 1,9% sobre abril de 2025 e expansão de 2,9% no acumulado de 12 meses. Ainda assim, o segmento permanece 0,3% abaixo do recorde histórico alcançado em outubro de 2025.
O analista da pesquisa, Rodrigo Lobo, observa que o movimento positivo interrompe uma trajetória recente de indefinição. “Os dados devolvem o volume de serviços ao mesmo ponto de dezembro de 2025, mas ainda não indicam tendência clara”, afirmou, destacando a proximidade do topo da série iniciada em 2011.
Desempenho mês a mês
Confira a sequência semestral detalhada:
- Novembro/25: ‑0,1%
- Dezembro/25: ‑0,3%
- Janeiro/26: 0%
- Fevereiro/26: 0%
- Março/26: ‑1,1%
- Abril/26: +1,2%
O ganho de abril é o mais robusto desde outubro de 2024, quando o avanço havia sido de 1,3%.
Todos os grupos no azul
Entre os cinco grandes grupos monitorados, todos marcaram resultado positivo na passagem de março para abril:
- Outros serviços: +2,2%
- Serviços prestados às famílias: +1,4%
- Transportes, armazenagem e correio: +0,9%
- Informação e comunicação: +0,5%
- Serviços profissionais e administrativos: +0,4%
Com peso de 36,4% no índice, transportes, armazenagem e correio foi, mais uma vez, o principal vetor de influência sobre o resultado global.
Transporte aéreo puxa reação
A alta de 0,9% em transportes deve-se, em grande medida, ao avanço de 7% no segmento de transporte aéreo de passageiros. O salto ocorre após perdas acumuladas de 16,6% em fevereiro e março. A reversão tem ligação direta com a queda de 14,45% nas passagens aéreas registrada pelo IPCA em abril, depois de forte aumento de preços nos dois meses anteriores.
Na mesma linha, o volume de passageiros transportados subiu 2,6% ante março. Em contrapartida, o transporte de cargas recuou 0,9%, sinalizando que a recuperação ainda não é homogênea dentro do próprio setor.
Turismo supera nível pré-pandemia
O índice de atividades turísticas (Iatur) cresceu 4,1% em abril, acumulando avanço de 2,7% em 12 meses. Com isso, o turismo opera 11,2% acima do patamar pré-COVID-19 de fevereiro de 2020 e apenas 2,2% aquém do pico de dezembro de 2024.
O Iatur reúne 22 atividades, como hotéis, agências de viagem, bufês e o próprio transporte aéreo, e abrange 17 unidades da federação. Os melhores desempenhos vieram de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia, refletindo tanto a retomada da demanda interna quanto a redução de tarifas aéreas.
Metodologia da pesquisa
Para compor o indicador, o IBGE coleta dados de 166 tipos de serviços e os consolida em cinco grandes grupos. As informações são obtidas diretamente das empresas pesquisadas e tratadas estatisticamente para compor a série histórica iniciada em 2011. O recorte mensal permite avaliar tendências de curto prazo e subsidiar políticas públicas voltadas ao setor que mais emprega no país.
Risco de volatilidade persiste, mas oportunidade se abre
Embora o salto de abril represente alívio depois de cinco meses de marasmo, a própria autarquia estatística evita cravar mudança estrutural na trajetória do setor. A leitura econômica sugere que parte do impulso se deveu a um fator pontual — o recuo nas passagens aéreas. Se custos voltarem a subir, o transporte de passageiros, que responde por parcela relevante da malha produtiva, pode perder fôlego novamente.
Por outro lado, a elasticidade do turismo ao preço da viagem mostra que há janela de oportunidade para companhias aéreas, hotéis e operadores de lazer. Com o Iatur acima do pré-pandemia e o câmbio favorecendo o turismo doméstico, segmentos ligados à hospitalidade podem capitalizar a demanda reprimida, desde que mantenham ofertas competitivas.
No plano macro, a proximidade do recorde histórico indica capacidade de reação rápida, mas também evidencia sensibilidade a choques de preço. Investidores e formuladores de política devem, portanto, monitorar custos logísticos, especialmente combustíveis e tarifas aeroportuárias, que podem ditar o ritmo da recuperação no segundo semestre.
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