Simples Nacional pode travar créditos na cadeia de IVA
Simples Nacional pode travar créditos na cadeia de IVA. A proposta de permitir crédito tributário de IVA Dual (IBS/CBS) a empresas do regime simplificado reacendeu o debate sobre os impactos fiscais e logísticos na cadeia de fornecimento.
Discussão sobre créditos de IVA Dual
Nos últimos dias, especialistas têm questionado a real necessidade de alterar o Simples Nacional para conceder créditos de IVA, uma vez que a legislação já admite a migração para o chamado Simples Híbrido. Previsto no §3º do art. 41 da Lei Complementar 214/25, o modelo híbrido permite a apuração de débito e crédito de IBS/CBS no regime geral, bastando opção formal do contribuinte.
Para tributaristas, o movimento de mudança seria mais político do que técnico. Caso aprovado, apenas tornaria redundante um direito que já existe mediante simples enquadramento no regime híbrido.
Consequências na cadeia de fornecimento
Ao permanecer no Simples convencional, a empresa não acumula créditos de IVA. Essa lacuna pode interromper o fluxo de créditos gerados pelos elos anteriores da cadeia, elevando custos para fornecedores e clientes subsequentes. Na prática, o contribuinte simplificado vira um “gargalo”, pois não repassa os créditos já acumulados nas etapas anteriores.
O cenário preocupa grandes empresas que exigem créditos amplos para reduzir a carga tributária. Se o fornecimento incluir um elo sem direito a crédito, todo o saldo acumulado é perdido, encarecendo o produto final.
Opções de migração e planejamento
Para evitar o estrangulamento de créditos, a legislação oferece a migração semestral ao Simples Híbrido. A escolha pode ser revista a cada seis meses, considerada a sazonalidade do negócio. Profissionais tributaristas destacam a importância de projeções detalhadas para decidir entre permanecer no regime simplificado – com alíquota reduzida, mas sem créditos – ou aderir ao modelo híbrido e manter o fluxo de créditos.
Informações atualizadas sobre o regime podem ser consultadas no portal da Receita Federal, que reúne orientações oficiais sobre IBS, CBS e enquadramento tributário.
Em síntese, o Simples Nacional oferece facilidade operacional, mas pode onerar a cadeia de fornecimento quando há necessidade de créditos de IVA. A análise tributária detalhada é fundamental antes de optar pelo regime híbrido.
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