Sexta-feira, 31 de julho de 2026, terminou com leve valorização do dólar frente ao real, enquanto o Ibovespa cravou o maior nível desde maio. A sessão, marcada por atraso de mais de duas horas na B3, refletiu a busca global por proteção em meio às tensões no Oriente Médio e aos rendimentos mais altos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos. Apesar da alta pontual, a moeda americana acumulou queda de 1,82% no mês, ao passo que o principal índice da bolsa paulista somou 3,47% em julho.
Câmbio: dólar reage à aversão ao risco internacional
O dólar à vista encerrou o dia vendido a R$ 5,069, avanço de 0,13% em relação ao fechamento anterior. O movimento ganhou força logo após o término da disputa para formação da Ptax, referência cambial utilizada para contratos financeiros e correção da dívida pública atrelada à moeda dos Estados Unidos.
O fortalecimento global do dólar se deu em um contexto de maior cautela, motivado pelas declarações do presidente norte-americano, Donald Trump, sobre o conflito com o Irã, e pela continuidade dos impasses na Faixa de Gaza. A busca por proteção elevou também os yields dos Treasuries, fator que costuma atrair capital de volta ao mercado norte-americano e pressionar divisas emergentes.
Ao longo de julho, no entanto, o real conseguiu se valorizar 1,82% diante da combinação de petróleo mais caro, ingresso de capital estrangeiro e taxa Selic em patamar elevado, que sustenta operações de carry trade. Essas condições favoreceram a queda acumulada de 7,73% do dólar frente à moeda brasileira em 2026.
Bolsa de valores: Ibovespa sustenta rali mensal
Mesmo com a abertura tardia, o Ibovespa avançou 0,47% no dia e encerrou aos 177.999 pontos, marcando o melhor fechamento desde 14 de maio. Na semana, o índice subiu 2,27% e, em julho, acumulou expressivos 3,47%, revertendo uma sequência de quatro meses de perdas.
O desempenho positivo refletiu a recuperação parcial de ações ligadas a commodities, em especial produtoras de petróleo, beneficiadas pela disparada dos preços internacionais. Além disso, dados corporativos divulgados nos Estados Unidos impulsionaram o apetite global por risco, o que se traduziu em fluxo comprador para a B3.
Petróleo: maior avanço mensal desde março
Os barris de Brent e WTI registraram alta de 1,21% e 1,29% no dia, cotados a US$ 87,93 e US$ 84,67, respectivamente. No acumulado de julho, o Brent saltou 23,5%, enquanto o WTI subiu 21,8%. Esse movimento foi impulsionado pelo aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã, incluindo relatos de interceptação de navios-tanque no Estreito de Ormuz e novos ataques a instalações militares americanas.
A possibilidade de restrições ao transporte da commodity elevou prêmios de risco e reforçou a expectativa de que a Opep+, que se reúne neste fim de semana, possa discutir cortes adicionais ou prolongar os acordos de produção para sustentar preços. O salto de mais de 20% no petróleo, por sua vez, contribuiu para o desempenho de empresas brasileiras exportadoras do insumo, refletindo no avanço do Ibovespa.
Falha técnica adia pregão, mas não trava negócios
A B3 enfrentou problema tecnológico em um componente da infraestrutura de pós-negociação, atrasando em pouco mais de duas horas a abertura dos mercados de ações e juros. A bolsa assegurou que não houve indícios de ataque cibernético e declarou que o incidente não alterou a trajetória dos ativos ao longo da sessão.
Investidores monitoraram o contratempo, mas a liquidez se normalizou no período da tarde. O episódio reacendeu discussões sobre a necessidade de redundância de sistemas em uma praça que movimenta diariamente bilhões de reais.
Números consolidados do dia e do mês
- Dólar: R$ 5,069 (+0,13% no dia / –1,82% em julho);
- Ibovespa: 177.999 pontos (+0,47% no dia / +3,47% em julho);
- Petróleo Brent: US$ 87,93 (+1,21% no dia / +23,5% em julho);
- Petróleo WTI: US$ 84,67 (+1,29% no dia / +21,8% em julho).
Para acompanhar as cotações oficiais de câmbio e detalhes sobre a Ptax, consulte o Banco Central do Brasil.
Tensões geopolíticas e juros nos EUA ampliam custo de proteção
Do ponto de vista de alocação, a combinação de risco geopolítico elevado e expectativa de política monetária mais restritiva nos Estados Unidos aumenta o custo de oportunidade para quem mantém posições em mercados emergentes. Embora o real tenha se fortalecido no mês, a alta diária do dólar sinaliza que qualquer escalada adicional no Oriente Médio ou no rendimento dos Treasuries pode converter rapidamente o fluxo cambial, exigindo hedges mais caros. Já na renda variável, o impulso do petróleo cria colchão para empresas exportadoras, mas eleva pressões inflacionárias domésticas, fator que pode adiar cortes de juros no Brasil e, por consequência, impactar o prêmio de risco exigido pelos investidores.
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