A moeda norte-americana recuou quase 1% nesta quinta-feira (30) e fechou a R$ 5,061, menor cotação em cerca de dois meses, após dados de inflação dos Estados Unidos abaixo do esperado. O movimento favoreceu a entrada de capital estrangeiro, impulsionando o Ibovespa, que subiu 1,88% e retomou o patamar de 177 mil pontos, enquanto o petróleo devolveu parte dos ganhos recentes.
Dólar toca mínima e investidores buscam risco
Dados de inflação nos EUA derrubam o dólar
O recuo na cotação foi puxado pelo núcleo do Índice de Preços de Gastos com Consumo Pessoal (PCE), indicador acompanhado pelo Federal Reserve. O avanço de apenas 0,1% em junho, frente à expectativa de 0,2%, reforçou a leitura de que o banco central norte-americano pode manter os juros no nível atual, reduzindo a atratividade dos títulos do Tesouro dos EUA.
Com a perspectiva de juros estáveis, o fluxo global migrou para ativos considerados mais rentáveis. O Dollar Index (DXY) caiu 0,93%, refletindo a valorização de moedas como iene, euro e, principalmente, o real. Operadores relataram aumento da oferta de dólares no mercado local, impulsionada por ordens de venda de exportadores e ingressos de fundos estrangeiros.
Segundo dados preliminares do Banco Central, o câmbio terminou o pregão a R$ 5,061, queda de R$ 0,047. É a menor cotação desde 5 de junho.
Ibovespa retoma patamar pré-Fed
O ambiente externo benigno favoreceu a recuperação da Bolsa brasileira. O principal índice da B3 ganhou 1,88%, a 177.158 pontos, eliminando as perdas da véspera, quando investidores reagiram ao comunicado do Federal Reserve.
Entre as blue chips, bancos e mineradoras lideraram os ganhos: ações de grandes instituições financeiras avançaram com a expectativa de margens maiores diante de queda futura da Selic, enquanto o setor de commodities se beneficiou da busca global por ativos de risco.
No exterior, o clima também foi positivo. Dow Jones subiu 1,19%, S&P 500 1,67% e Nasdaq 2,78%, impulsionados por gigantes de tecnologia. O apetite estrangeiro por ações brasileiras se intensificou, amparado na percepção de que o Banco Central do Brasil pode iniciar um ciclo de relaxamento monetário ainda neste semestre, caso os próximos indicadores de inflação confirmem a trajetória de desaceleração.
Petróleo devolve parte da alta
Os preços do petróleo recuaram após a forte valorização da sessão anterior. O Brent caiu 1,37%, para US$ 86,88 o barril, e o WTI perdeu 1,03%, a US$ 83,59. O mercado avaliou que, apesar das tensões entre Estados Unidos e Irã, não houve interrupção efetiva no fluxo pelo Estreito de Ormuz.
Além do front geopolítico, os investidores monitoram a reunião da Opep+, marcada para domingo. Fontes indicam que o cartel pode discutir ajustes na produção para equilibrar oferta e demanda no segundo semestre, em meio a incertezas sobre crescimento global.
Fluxo estrangeiro sustenta real e renda variável
A combinação de dólar fraco e perspectiva de juros mais baixos elevou o interesse por papéis brasileiros. Relatos de mesa de câmbio apontaram compras expressivas de ações de bancos, petroleiras e empresas de consumo. Esse movimento ampliou a liquidez de divisas no país, pois parte dos recursos ingressa em dólar e é convertida para reais na compra dos ativos.
Analistas observam que, embora a balança comercial robusta já contribua para superávit de US$ 43 bilhões no ano, o componente financeiro do câmbio ganhou protagonismo nas últimas semanas. Caso os próximos dados norte-americanos reforcem o cenário de inflação controlada, o diferencial de juros real entre Brasil e EUA tende a atrair mais capitais de curto prazo.
Selic no radar: custo de oportunidade em queda
Com o mercado precificando cortes da taxa Selic a partir da próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o custo de oportunidade para investir em renda variável diminui. Se confirmada, a redução dos juros básicos deve aliviar despesas financeiras de empresas listadas e estimular projetos de expansão, elevando lucros futuros. Para o investidor, a combinação de real valorizado e perspectiva de melhora no resultado corporativo aumenta o prêmio exigido para permanecer em renda fixa, favorecendo a realocação de portfólio em ações e títulos de crédito privado.
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