A quinta-feira, 16 de julho de 2026, terminou com tensão nas mesas de operação. O dólar comercial avançou 0,40% e encerrou a sessão a R$ 5,098, enquanto o Ibovespa recuou 1,24%, aos 173.825 pontos. O movimento refletiu o fortalecimento global da moeda norte-americana e a confirmação de tarifa de 25% dos Estados Unidos sobre parte das exportações brasileiras, fato que elevou a aversão ao risco entre investidores.
Pressão externa sustenta valorização do dólar
O câmbio foi influenciado sobretudo por dados econômicos robustos divulgados nos Estados Unidos. Pedidos semanais de auxílio-desemprego totalizaram 208 mil, abaixo da projeção de 217 mil, e as vendas no varejo cresceram 0,2% em junho. Os números reforçaram a leitura de que o Federal Reserve poderá manter os juros em patamar elevado por mais tempo, fator que costuma atrair capital para títulos do Tesouro norte-americano e, por consequência, fortalece o dólar frente às moedas de mercados emergentes.
Na máxima do dia, por volta das 14h15, a cotação chegou a R$ 5,11. Apesar do avanço desta sessão, a divisa ainda acumula queda de 7,12% em 2026. Para acompanhar as séries históricas oficiais de câmbio, consulte o Banco Central do Brasil.
Tarifa dos EUA eleva cautela local
A decisão norte-americana de impor alíquota de 25% sobre parte dos produtos brasileiros adicionou uma camada extra de incerteza ao cenário doméstico. Embora a lista de exceções tenha ficado mais ampla do que se previa, investidores temem impactos sobre o saldo da balança comercial e sobre o fluxo cambial. Além disso, passou a ser monitorada nos bastidores a possibilidade de resposta via Lei da Reciprocidade, o que poderia ampliar o contencioso entre os dois países.
Ibovespa aprofunda perdas na semana
Seguindo o tom negativo de Wall Street, o principal índice da B3 encerrou em baixa de 1,24%, acumulando retração de 2,27% na semana, mas ainda com ganho de 7,88% no ano. Os papéis de peso no índice puxaram o movimento:
- Petrobras cedeu acompanhando a queda do petróleo;
- Companhias mineradoras recuaram, influenciadas pela desvalorização do minério de ferro;
- Bancos tiveram desempenho misto, sem força para segurar o índice.
A combinação de juros altos no exterior, tarifa norte-americana e dúvidas sobre eventuais contramedidas brasileiras compôs um quadro de menor apetite ao risco, reduzindo o fluxo de capital para a bolsa local.
Petróleo recua apesar da escalada no Oriente Médio
A commodity encerrou a sessão em baixa, com o Brent negociado a US$ 84,23 (-0,85%) e o WTI a US$ 78,95 (-0,82%). A correção veio após forte volatilidade alimentada por ameaças dos houthis, no Iêmen, contra instalações petrolíferas da Arábia Saudita e a possibilidade de interrupções nas rotas do Mar Vermelho e do Estreito de Ormuz. Mesmo com o recuo, analistas destacam que um prêmio de risco geopolítico continua embutido nos preços devido à chance de cortes bruscos de oferta.
Risco geopolítico e tarifa testam o apetite a ativos brasileiros
O encarecimento do dólar eleva o custo de empresas que carregam dívidas em moeda estrangeira, ao mesmo tempo em que pressiona importadores de insumos industriais. Para o investidor doméstico, a alta da moeda norte-americana torna mais atraentes aplicações atreladas ao câmbio, criando um custo de oportunidade para quem mantém posições em renda variável. Já o recuo do petróleo alivia a inflação de curto prazo, mas, se as tensões no Oriente Médio limitarem a oferta, o efeito pode se inverter rapidamente, forçando empresas de energia a revisarem projeções de custo.
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