Banco do Brasil (BBAS3) perdeu cerca de 30 % no valor de mercado nos últimos três meses, após divulgar resultados fracos no primeiro trimestre de 2025 e retirar o guidance para o ano. A decisão de suspender projeções, motivada sobretudo pela subida da inadimplência no agronegócio, aumentou a incerteza entre investidores.
Desempenho recente e riscos
No início de 2025, a instituição estatal registou forte deterioração na carteira rural, o que pressionou lucros e levou a administração a abandonar metas financeiras. Dados mais recentes do sector bancário indicam que a inadimplência do agro continua a piorar, sinalizando potenciais resultados negativos também no segundo e terceiro trimestres.
Mesmo com a desvalorização recente, as ações negociam próximas de 4 vezes o lucro e 0,6 vezes o valor patrimonial, níveis considerados descontados face à média histórica. Analistas apontam ainda que as eleições de 2026 podem alterar o enquadramento político-económico e beneficiar o banco, hipótese que abriria margem para o preço regressar a patamares acima de 30 reais.
Estratégia de compra protegida
Para quem pretende entrar no ativo sem exposição integral à queda, uma operação combinada com opções é apresentada como alternativa. O exemplo mais citado envolve a aquisição simultânea de ações BBAS3 e da put BBASX190, com preço de exercício de 19,02 reais e vencimento em 18 de dezembro de 2026. O prémio dessa opção varia entre 0,70 e 1,00 real por ação.
Ao comprar a put, o investidor garante o direito de vender o título por 19,02 reais até ao final do próximo ciclo eleitoral. Caso o cenário adverso se confirme e o papel recue, a opção actua como seguro; se, por outro lado, os resultados melhorarem e o mercado reagir positivamente, a perda limita-se ao custo do prémio.
A liquidez de opções com prazo tão alargado é reduzida no mercado brasileiro, podendo implicar spreads elevados. Por essa razão, recomenda-se intermediar a operação através da mesa da corretora e manter o custo da proteção abaixo de 10 % do preço da ação.
Com curto prazo ainda sujeito a altos níveis de inadimplência, mas com potencial de valorização caso o quadro político e operativo melhore, a compra protegida oferece um equilíbrio entre risco e oportunidade no Banco do Brasil.
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