Brasília estuda alterar a chamada “taxa das blusinhas”, imposto de 20 % sobre encomendas internacionais até 50 dólares, medida que pode reconfigurar o equilíbrio entre retalhistas locais e plataformas asiáticas como Shein e Shopee.
Nova avaliação política
Analistas do BTG Pactual referem que o executivo começou a medir o apoio no Congresso para revogar ou, pelo menos, reduzir a tarifa criada em Agosto de 2024. Qualquer recuo abaixo dos 20 % exigirá uma Medida Provisória, com aplicação imediata e validade de até 120 dias, período em que deputados e senadores teriam de confirmar a alteração.
Fontes do banco apontam dois motivos centrais: mitigar o desgaste político provocado pela cobrança e sinalizar boa vontade perante Pequim num cenário de escalada tarifária nos Estados Unidos.
Efeitos esperados no mercado
O Itaú BBA estima que o fim da taxa provocaria descida entre 1,8 e 2,8 pontos percentuais nas vendas de retalhistas de vestuário de média dimensão. Desde a introdução do imposto, o volume mensal de encomendas transfronteiriças terá encolhido cerca de 50 milhões de pacotes; a eliminação da tarifa poderá acrescentar perto de 5 mil milhões de reais às compras realizadas fora do país, calculam os analistas.
Na B3, Lojas Renner e Guararapes acumulam valorizações de 44 % e 38 % em 2025, enquanto a C&A supera 100 % de ganho, desempenho atribuído, em parte, à concorrência menos intensa das plataformas estrangeiras. Mesmo com a eventual reabertura do comércio electrónico asiático, BTG e BBA defendem que as empresas brasileiras reforçaram cadeias de abastecimento, logística e tempo de resposta ao consumidor, o que deverá amortecer o impacto.
Posicionamento dos investidores
Para o BTG, acções como Vivara e Azzas representam escolhas mais defensivas, por estarem menos expostas às importações de baixo valor. Contudo, a decisão final do governo continua em aberto e dependerá do balanço entre pressão fiscal, interesses diplomáticos e resistência parlamentar.
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