O mercado de crédito consignado para trabalhadores com carteira assinada entrou em nova fase depois do lançamento, em março, do programa Crédito do Trabalhador, iniciativa do governo federal que autoriza o uso do FGTS como garantia dos empréstimos.
Novas regras e impacto imediato
A Medida Provisória 1.211/2024 tornou obrigatória a apresentação de contrapropostas pelos bancos em pedidos de portabilidade, aumentando a competição pelas melhores taxas. Desde então, 2,3 milhões de empregados formais contrataram a modalidade, totalizando R$ 13 bilhões em recursos liberados, segundo dados oficiais.
A expansão ocorre em cenário de desemprego em queda, que atingiu 6,2 % no trimestre encerrado em maio, e diante de uma massa de 39,8 milhões de trabalhadores formalizados. A renda média desse público chegou a R$ 3.410. Santa Catarina (87,8 %), São Paulo (83,4 %) e Rio Grande do Sul (81,5 %) lideram os índices de formalização no país, o que cria ambiente favorável à modalidade.
Desafios de conversão e personalização
Embora a procura cresça, a conversão em contratos efetivos permanece baixa. Analistas apontam que ofertas genéricas não refletem a realidade financeira do trabalhador. Instituições financeiras passaram a recorrer a dados alternativos — como histórico de emprego, hábitos de consumo e localização — para ajustar limites, prazos e taxas.
Para sustentar esse modelo personalizado, bancos investem em hubs de dados, APIs abertas e motores de decisão automatizados, capazes de aprovar crédito em tempo real e reduzir riscos. A estratégia busca fortalecer a confiança do consumidor e aumentar a competitividade.
Comunicação e inclusão regional
Especialistas consideram a comunicação outro gargalo: muitos empregados desconhecem as condições do consignado ou desconfiam do produto. A recomendação é adotar linguagem clara nos canais digitais e oferecer orientação financeira.
As regiões Norte e Nordeste, onde a informalidade ainda supera a média nacional, também estão no foco das instituições. A oferta de consignado nessas áreas exige ações de educação financeira e atendimento mais assistido para garantir inclusão efetiva.
Perspectivas para o setor
Com a combinação de novas garantias, competição entre bancos e tecnologias de análise de dados, o consignado privado tende a ampliar a base de clientes e a tornar as condições mais justas. Segundo executivos do setor, vencerá quem conseguir aliar agilidade, personalização e empatia no relacionamento com o trabalhador.
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