Em 9 de junho de 2026, integrantes da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado intensificaram as críticas à ausência de dados oficiais sobre a real situação do Banco de Brasília (BRB). A não divulgação do balanço de 2025 e a incerteza em torno do prejuízo ligado às operações com o Banco Master levaram parlamentares a exigir esclarecimentos imediatos da instituição, do Governo do Distrito Federal e dos órgãos reguladores.
Senado cobra divulgação do balanço de 2025
Durante audiência pública, o presidente da CAE, senador Renan Calheiros (MDB-AL), classificou como “inaceitável” o descumprimento do prazo legal de 31 de março para a apresentação do balanço financeiro do BRB. Ele questionou a consistência de qualquer plano de recuperação homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) sem que as demonstrações contábeis estejam disponíveis para consulta pública.
O dirigente da instituição, Nelson Antônio de Souza, confirmou a necessidade de um empréstimo total de R$ 8,8 bilhões para recompor a posição de caixa. Contudo, não detalhou o tamanho exato do prejuízo gerado pelas negociações com o Banco Master, de Daniel Vorcaro, o que ampliou a tensão no colegiado.
Detalhes do acordo homologado pelo STF
Homologado no fim de maio, o acordo envolve o Governo do Distrito Federal (GDF), a União, o Banco Central e o próprio BRB. A principal operação prevê que o GDF contraia um empréstimo de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC), entidade privada financiada por contribuições obrigatórias de bancos públicos e privados.
A estrutura conta com garantia de fiança de um sindicato de bancos e contragarantias atreladas a repasses do Fundo de Participação dos Estados e do Distrito Federal (FPE) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), sem aval direto da União. Em contrapartida, o GDF se compromete a adotar medidas de ajuste fiscal, como suspensão de novos concursos e de reajustes salariais.
Complemento de R$ 2,2 bilhões via securitização
Souza explicou que o montante restante, de R$ 2,2 bilhões, virá de uma operação de securitização da dívida do GDF, estruturada com o banco BTG Pactual. Na primeira tranche, em 25 de maio, foram levantados R$ 1,17 bilhão. A iniciativa depende ainda da aprovação, pela Câmara Legislativa do Distrito Federal, do projeto de lei que formaliza as garantias necessárias.
Para o senador Izalci Lucas (PL-DF), a dívida com prazo de 15 anos “engessa” as próximas três gestões do Distrito Federal. Ele alegou falta de documentos comprobatórios, lembrando que recursos que poderiam ser destinados a saúde, educação e segurança pública acabarão cobertos pelo serviço da dívida.
Preocupação com depósitos judiciais e mercado imobiliário
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), autora do requerimento da audiência, alertou que a crise do BRB ultrapassa o âmbito distrital. A instituição administra cerca de R$ 30 bilhões em depósitos judiciais de tribunais estaduais de Alagoas, Bahia, Maranhão, Paraíba e do próprio Distrito Federal. Além disso, responde por 64 % dos financiamentos imobiliários da capital federal, controlando uma carteira próxima de R$ 15 bilhões.
Damares argumentou que qualquer abalo na solvência do banco pode comprometer a confiança do sistema financeiro nacional e os direitos dos cidadãos que dependem desses recursos. “Não queremos mais ser surpreendidos pela imprensa”, reforçou a parlamentar.
Parlamentares pedem transparência e responsabilidade
Os senadores ressaltaram que a execução prática do acordo só poderá avançar com a publicação integral do balanço do BRB e a apresentação de laudos de auditoria independentes. Renan Calheiros insistiu que “não se faz política pública no escuro”, enquanto Izalci Lucas defendeu que o Congresso mantenha fiscalização constante sobre o uso das garantias do FPE e do FPM, consideradas vitais para a sustentabilidade fiscal de estados e municípios.
Até o momento, não há calendário oficial para a divulgação das demonstrações contábeis de 2025 nem para a conclusão das negociações com o FGC. A insegurança, segundo os parlamentares, pode afetar a percepção de risco de outros bancos estaduais e regionais.
Análise: custo de oportunidade para o Distrito Federal
O pacote de R$ 8,8 bilhões representa, na prática, uma troca entre investimento público e saneamento bancário. Cada real direcionado ao socorro do BRB sai diretamente da capacidade do GDF de financiar políticas sociais e infraestrutura nos próximos anos. A contrapartida de congelar concursos e reajustes pressiona servidores e pode reduzir a qualidade dos serviços públicos, afetando a arrecadação futura. Ao atrelar o pagamento à receita do FPE e do FPM, o acordo ainda limita a margem de manobra fiscal de gestores sucessores, elevando o risco de cortes adicionais em áreas essenciais caso a economia desacelere.
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