A sessão desta segunda-feira, 18 de maio de 2026, terminou com o dólar novamente abaixo de R$ 5 e a bolsa brasileira perto da estabilidade. O movimento foi condicionado pelo anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que postergou uma ofensiva militar contra o Irã, aliviando o sentimento de risco global e beneficiando moedas de países emergentes.
Trump adia ofensiva e reduz aversão ao risco
No meio da tarde, Trump comunicou que suspendeu um ataque militar previamente planejado contra Teerã para dar espaço a negociações diplomáticas. A sinalização trouxe alívio imediato aos mercados, que vinham monitorando a escalada no Oriente Médio e seus possíveis reflexos sobre oferta de petróleo e inflação mundial. Depois do anúncio, ativos considerados de risco – como ações e divisas de economias emergentes – ganharam fôlego, ao passo que o dólar recuou em relação a várias moedas, entre elas peso mexicano, peso chileno e rand sul-africano.
Reação do câmbio brasileiro
Em meio ao cenário externo mais benigno, o dólar comercial fechou vendido a R$ 4,998, queda de 1,34% sobre o ajuste anterior. A cotação chegou a abrir a R$ 5,04, mas consolidou níveis abaixo da barreira dos R$ 5 perto do fim dos negócios. Mesmo com o recuo de hoje, a moeda acumula alta de 0,92% em maio; no acumulado de 2026, entretanto, cede 8,93%.
Análises de mesa indicam que parte do movimento também refletiu ajustes técnicos, depois de sucessivas sessões de valorização do dólar no mercado doméstico. Operadores destacaram ainda a percepção de juros elevados por período prolongado no Brasil, reforçada pela última pesquisa Focus do Banco Central, que elevou a projeção para a taxa Selic no fim de 2026 a 13,25% ao ano. A perspectiva de retorno mais alto em títulos locais tende a sustentar o real, sobretudo em dias de menor estresse externo.
Bolsa oscilou, mas segurou queda
O Ibovespa encerrou o dia aos 176.975,82 pontos, recuo de 0,17%. Por volta das 15h30, o índice chegou a ceder 0,83%, mas reverteu parte das perdas após o alívio geopolítico vindo de Washington. Em maio, o principal indicador de ações da B3 recua 5,52%, após ter cravado recorde histórico em abril; no ano, ainda sustenta ganho de 9,84%.
Segundo dados da própria B3, investidores estrangeiros retiraram R$ 3,9 bilhões em fluxo líquido do mercado acionário brasileiro nas duas primeiras semanas de maio, movimento que evidencia cautela em relação a ativos locais diante de incertezas globais.
Fatores internos mantêm cautela
Apesar da trégua no front externo, indicadores domésticos fracos permaneceram no radar. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) — considerado “prévia” do Produto Interno Bruto — caiu 0,7% em março na comparação mensal, resultado inferior ao esperado por analistas. A leitura corrobora a visão de economia desaquecida, fator que poderia limitar o apetite por risco no mercado de capitais.
No campo monetário, a expectativa de Selic elevada ajuda a conter pressões cambiais, mas também encarece o crédito e pode atrasar a retomada de investimentos produtivos, criando um impasse entre estabilidade financeira e crescimento.
Petróleo segue em alta e pressiona expectativas
Mesmo com a atenuação das tensões, o petróleo encerrou o dia em valorização. O barril do tipo Brent subiu 2,6%, fechando a US$ 112,10, enquanto o WTI avançou 3,33%, para US$ 104,38. A commodity continua sensível a qualquer notícia envolvendo o Oriente Médio, e patamares elevados mantêm as projeções de inflação global sob pressão, podendo influenciar decisões de política monetária em vários países — inclusive no Brasil.
Janela de oportunidades e riscos para o investidor brasileiro
A pausa na ofensiva contra o Irã trouxe alívio imediato ao câmbio e ao mercado acionário, mas não elimina a volatilidade. Com o dólar ainda perto do limiar psicológico de R$ 5, empresas exportadoras veem margens mais ajustadas, ao passo que importadoras ganham fôlego. Para quem investe em renda fixa, a perspectiva de Selic a 13,25% em 2026 mantém atratividade, porém o custo de oportunidade pode se elevar caso a atividade econômica continue desacelerando. Já na bolsa, as retiradas de capital estrangeiro mostram que o apetite externo segue frágil; investidores locais que buscam prêmios de risco maiores devem considerar não apenas o alívio momentâneo, mas também a possibilidade de nova escalada geopolítica que volte a pressionar petróleo, inflação e, por consequência, expectativas de juros.
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