Em visita à Refinaria de Paulínia nesta segunda-feira (18), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que a Petrobras atuará na Bacia da Foz do Amazonas com “máxima responsabilidade ambiental”, ressaltou que a iniciativa reforça a soberania nacional e defendeu a ocupação da Margem Equatorial antes que interesses externos avancem na área. O pronunciamento ocorreu durante o anúncio de um pacote de R$ 37 bilhões em investimentos da estatal no estado de São Paulo até 2030.
Lula apoia exploração na Margem Equatorial e anuncia R$ 37 bi
Soberania e responsabilidade na Foz do Amazonas
Lula frisou que “ninguém tem mais cuidado com a Amazônia do que o governo” e que o início da pesquisa exploratória, já autorizado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), deverá seguir padrões rigorosos para evitar impactos ambientais. Ao justificar a urgência da exploração, o presidente mencionou o risco de outros países reivindicarem a região, reforçando o caráter estratégico da Margem Equatorial, apontada por especialistas como o “novo pré-sal” devido ao seu potencial petrolífero.
Para conferir legitimidade técnica ao projeto, a Petrobras obteve, em 2023, a licença de operação do Ibama. O plano inclui estudos sísmicos e perfurações exploratórias que, segundo o governo, devem assegurar novas receitas para financiar políticas sociais e acelerar a transição energética.
Críticas às privatizações de subsidiárias
No mesmo discurso, Lula atacou as vendas da BR Distribuidora (2019) e da Liquigás (2020), classificando-as como tentativas de “fatiar” a Petrobras. Ele comparou o processo a fatiar um rolo de mortadela, alegando que a desmontagem gradual colocaria em risco a empresa, considerada por ele um patrimônio nacional. O presidente argumentou que, caso a estatal já fosse privada, o impacto da alta do petróleo provocada pelo conflito no Oriente Médio seria transferido integralmente ao consumidor brasileiro.
Segundo Lula, o governo decidiu taxar as exportações de petróleo para subsidiar diesel e gasolina, aliviando os custos do transporte rodoviário e do cidadão comum. O presidente responsabilizou a escalada de preços à tensão envolvendo o Irã e apontou o ex-presidente norte-americano Donald Trump pela instabilidade no setor energético global.
Pacote de R$ 37 bilhões para São Paulo
A presidenta da Petrobras, Magda Chambriard, detalhou que os R$ 37 bilhões reservados para São Paulo serão aplicados em refino, biorrefino, logística, exploração, produção, descarbonização e geração de energia sustentável. A expectativa da companhia é criar cerca de 38 mil empregos diretos e indiretos.
Desse total, R$ 6 bilhões irão para a Refinaria de Paulínia (Replan), responsável por mais de 30% do abastecimento de derivados de petróleo do país. Hoje, a planta processa 434 mil barris diários; com a ampliação, a capacidade deve saltar para 459 mil barris. O planejamento inclui a produção de combustível de aviação com até 5% de conteúdo renovável até dezembro.
Novas descobertas e metas para o pré-sal
Chambriard revelou, ainda, que a empresa direcionará recursos ao Campo de Mexilhão, na Bacia de Santos, ampliando a oferta de gás natural. Além disso, a Petrobras pretende declarar, “em breve”, a comercialidade de um reservatório no bloco Aram, também no pré-sal de Santos. O plano é interligar dois novos poços, ampliando a produção no estado.
Autossuficiência em diesel até 2030
Outro compromisso anunciado pela executiva é elevar de 75% para 85% a participação da Petrobras no mercado de diesel no curto prazo, com a meta de garantir autossuficiência total até 2030. O objetivo é reduzir a dependência de importações e minimizar a exposição a choques externos, reforçando a segurança energética em meio a conflitos internacionais.
Análise: oportunidade econômica e risco ambiental
A decisão de avançar na Margem Equatorial representa um custo de oportunidade significativo: deixar o petróleo intocado implicaria abrir mão de receitas potenciais estimadas em bilhões de dólares, num momento em que o país busca equilibrar contas públicas e financiar a transição energética. Por outro lado, o governo aposta que uma operação controlada, respaldada por licenças do Ibama e tecnologia de baixo impacto, mitigará riscos ambientais e evitará sanções internacionais. Caso o cronograma de ampliação de refino e diesel seja cumprido, o Brasil reduzirá gastos com importação de combustíveis e fortalecerá sua balança comercial, aumentando a robustez fiscal sem repassar volatilidade de preços ao consumidor.
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