Economia dos EUA crescerá 2,2% em 2026, diz Coface
Economia dos EUA deve avançar 2,2% em 2026, sustentada pelo consumo das famílias de alta renda, mercado acionário aquecido e investimentos em tecnologia, segundo projeções apresentadas pela Coface.
Consumo concentrado impulsiona PIB norte-americano
Durante o webinar “Um ano de Trumpnomics”, Marcos Carias, economista responsável pela análise da América do Norte, afirmou que os Estados Unidos podem até revisar a estimativa de crescimento para cima, diante de dados recentes mais fortes. Os 20% mais ricos, que detêm entre 50% e 60% do consumo total, continuam gastando graças à valorização de seus ativos financeiros. Mesmo com juros elevados, esse grupo sustenta a demanda, efeito reforçado pelo avanço das ações ligadas à inteligência artificial.
A inflação ao consumidor permanece em 2,7%, acima da meta de 2% do Federal Reserve. A Coface estima reaceleração para perto de 3% nos próximos meses, pois as tarifas impostas pelo governo estão sendo absorvidas pelas margens das empresas. O Fed manteve os juros e o mercado projeta até dois cortes em 2026, condicionados ao comportamento dos preços.
América Latina conviverá com juros altos
Patricia Krause, economista-chefe para a região, prevê crescimento latino-americano de 2,3% em 2026, ritmo semelhante ao de 2025, porém com forte disparidade entre países. Segundo a Coface, a América Latina seguirá exposta à política comercial dos EUA, que ampliou tarifas sobre aço, alumínio e impôs alíquota-base de 10% para a maioria dos parceiros.
No Brasil, a inflação encerrou 2025 dentro da banda de tolerância. Mesmo assim, a taxa Selic deve iniciar ciclo de queda apenas em março de 2026, partindo de 15% ao ano e podendo fechar em 12,25%. O PIB brasileiro deve crescer 1,9%, reflexo do crédito caro e do investimento limitado.
Na Argentina, a inflação despencou de 284% em abril de 2024 para 31,5% ao fim de 2025, com projeção de 20% em 2026. A melhora do consumo e do ambiente de negócios pode levar o PIB argentino a avançar 3,4%, superando a média regional.
Riscos exigem gestão cautelosa
Para a Coface, 2026 combinará expansão econômica com desafios relevantes: juros ainda elevados, incertezas comerciais e recuperação desigual entre setores. Empresas devem reforçar a gestão de crédito, liquidez e exposição a riscos, principalmente nas economias mais sensíveis ao ciclo financeiro.
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