Emprego formal dispara: 767 mil vagas abertas até maio

Emprego formal dispara: 767 mil vagas abertas até maio

Divulgado nesta terça-feira (30) em Brasília, o balanço do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) revela a abertura de 767.326 postos de trabalho com carteira assinada entre janeiro e maio de 2026 em todo o país, com saldo positivo nas 27 unidades da Federação. O relatório, apresentado pelo ministro Rogério Marinho, também indica que o salário médio de admissão em maio foi de R$ 2.384,10 — valor 0,75% menor que em abril, mas 1,5% superior ao registrado no mesmo mês de 2025.

Saldo positivo no acumulado do ano

Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o mercado formal sustentou crescimento consistente nos cinco primeiros meses de 2026. O resultado parcial soma 767.326 novas vagas com carteira, reforçando a trajetória de recuperação iniciada em exercícios anteriores.

Somente em maio, o Brasil criou 72.260 empregos, diferença entre 2.207.303 admissões e 2.134.343 desligamentos monitorados pelo Caged. A performance mensal manteve o saldo nacional em terreno positivo, apesar de ajustes sazonais observados em parte do setor agropecuário.

Detalhamento por setores da economia

Os serviços responderam pela maior fatia de contratações em maio, com 45.655 vagas adicionais. Dentro do segmento, lideraram as áreas de Saúde Humana e Serviços Sociais (+14.478), Atividades Administrativas e Serviços Complementares (+11.413) e Transporte, Armazenagem e Correio (+6.227).

A Construção Civil registrou 12.096 novos postos, alavancados principalmente por obras de infraestrutura (+8.916). Já a Indústria de Transformação ampliou o quadro em 4.974 posições, puxada pela fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias (+3.232), derivados do petróleo e biocombustíveis (+2.294) e alimentos (+2.216).

No campo, a Agropecuária adicionou 10.205 empregos. Sobressaíram as culturas de café (+17.674), laranja (+2.458) e cana-de-açúcar (+828). O Comércio, por sua vez, encerrou o mês com saldo modesto, de 40 vagas.

No acumulado de janeiro a maio, as maiores taxas de expansão do emprego pertencem a serviço doméstico (12,86%), administração pública, defesa e seguridade social (5,41%), construção civil (5,23%) e transporte, armazenagem e correio (1,99%).

Desempenho regional: destaques e recuos

Vinte e duas das 27 unidades da Federação terminaram maio com variação positiva. São Paulo encabeçou o ranking, com 18.224 vagas, seguido por Espírito Santo (+9.532) e Rio de Janeiro (+9.195). Por outro lado, Rio Grande do Sul (-5.657), Goiás (-2.742), Tocantins (-743), Santa Catarina (-662) e Alagoas (-75) apresentaram retração, atribuída pelo MTE a fatores sazonais no agronegócio e, no caso gaúcho, aos efeitos de tarifas impostas pelos Estados Unidos a couro e calçados.

Bolsa Família não freia contratações

O ministro Rogério Marinho rebateu críticas de que o Bolsa Família desestimularia o emprego formal. De janeiro a abril, 1.451.616 beneficiários do programa foram contratados, enquanto 1.030.000 foram desligados, resultando em saldo positivo de 421 mil pessoas no mercado de trabalho. Para o titular da pasta, os números evidenciam que o benefício não inibe a busca por registro em carteira.

Oportunidade versus inflação: como o mercado reage

Mesmo com leve queda mensal, o salário de admissão acumula ganho real frente a 2025, sugerindo que a demanda por mão de obra qualificada pressiona remunerações acima da inflação. O ritmo de contratações em serviços sinaliza migração de investimentos para atividades de maior valor agregado, enquanto a consistência da construção civil indica expectativa de aceleração de obras públicas e privadas. Nesse cenário, empresas que anteciparem quadros podem capturar profissionais antes de eventual aquecimento nos custos salariais, reduzindo o risco de gargalos em projetos a partir do segundo semestre.

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