O mercado de trabalho brasileiro encerrou junho com geração líquida de 145.161 postos formais, conforme dados do Novo Caged divulgados nesta quarta-feira (29) pelo Ministério do Trabalho e Emprego. O resultado origina-se de 2.220.131 admissões contra 2.074.970 desligamentos e mantém o estoque nacional em 48.032.308 vínculos, evolução de 0,30% frente a maio.
Balanço geral mostra ritmo positivo, mas menor que em 2025
Apesar do indicador permanecer no azul, o avanço ficou abaixo do observado no mesmo mês do ano passado, quando o saldo havia sido de 161.999 empregos. Ainda assim, o acumulado dos últimos 12 meses soma 942.854 novas vagas. A pasta comandada por Luiz Marinho atribuiu a desaceleração à elevada taxa básica de juros definida pelo Banco Central, atualmente em 14,25% ao ano, após corte de 0,25 ponto percentual na última reunião do Comitê de Política Monetária.
Para acessar a íntegra dos dados oficiais, consulte o painel do Ministério do Trabalho e Emprego.
Serviços e Agropecuária lideram contratações setoriais
Todos os cinco grandes grupamentos pesquisados apresentaram saldos positivos em junho. O segmento de Serviços abriu 74.514 vagas, impulsionado principalmente por atividades de informação, saúde e educação. A Agropecuária criou 22.898 postos, refletindo o período de safras no Centro-Oeste e no Sudeste.
O Comércio ficou com 19.177 novas carteiras assinadas, enquanto a Construção Civil adicionou 14.136 empregos, favorecida por projetos habitacionais e obras de infraestrutura. Já a Indústria de Transformação registrou saldo positivo de 4.438 vagas, puxado por alimentos e produtos químicos.
Sudeste mantém liderança; Amapá cresce proporcionalmente
No recorte regional, o Sudeste conduziu a geração de empregos com 70.383 vagas (+0,29%). O Nordeste veio em seguida com 34.433 (+0,43%), acompanhado do Centro-Oeste, que abriu 19.617 postos (+0,46%). O Sul e o Norte completaram o quadro, adicionando respectivamente 10.453 (+0,12%) e 9.633 (+0,40%) empregos.
Entre os estados, 25 terminaram o mês no campo positivo. São Paulo manteve a liderança com 34.981 novas colocações, seguido por Minas Gerais (20.805) e Rio de Janeiro (16.856). Na outra ponta, Espírito Santo fechou 2.259 postos, enquanto Tocantins perdeu 135 vagas. De forma proporcional, o destaque coube ao Amapá, que criou 1.111 empregos, o equivalente a uma das maiores variações relativas do período.
Retrato do perfil dos contratados
O salário médio real de admissão alcançou R$ 2.404,34 em junho, R$ 16,90 a mais que o registrado em maio. Quanto à faixa etária, jovens de 18 a 24 anos responderam por 100.597 vagas, enquanto adolescentes até 17 anos somaram 24.833. Na sequência aparecem os trabalhadores de 25 a 29 anos (13.007) e o grupo de 30 anos ou mais (6.724).
No recorte por raça ou cor, pessoas pardas ocuparam 106.176 postos, seguidas por brancos (28.636) e pretos (20.199). Os dados reforçam a predominância da força de trabalho jovem e evidenciam avanços graduais na inclusão de diferentes grupos étnicos.
Autoridades atribuem ritmo menor aos juros e a fatores externos
Questionado sobre a diferença em relação a 2025, o ministro Luiz Marinho afirmou que o patamar da Selic “contrai a economia” e reduz a disposição de empresas em investir. Ele também mencionou o “tarifaço” aplicado pelo governo dos Estados Unidos a produtos brasileiros e conflitos internacionais que elevaram a volatilidade no mercado de petróleo. Na avaliação do ministro, o saldo obtido em junho é “positivo levando em consideração os juros, as tarifas e as guerras” que afetam o cenário global.
Emprego formal sob forte custo de capital: o que o saldo de junho sinaliza?
O avanço de 145.161 empregos sugere que empresas ainda encontram espaço para expandir quadros, mesmo sob a Selic de dois dígitos. Entretanto, o ritmo menor que o do ano passado indica um custo de oportunidade crescente: cada ponto percentual de juros retira liquidez que poderia financiar contratações adicionais, especialmente na Indústria, onde o saldo de 4.438 vagas foi o mais modesto dos grandes setores. Se a trajetória de cortes de 0,25 p.p. persistir, o impacto positivo sobre o mercado de trabalho tende a ocorrer de forma lenta, reforçando a necessidade de estratégias focadas em produtividade para sustentar novas admissões.
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