Encerramento do 1T26 impõe novas regras contábeis

Encerramento do 1t26 impõe novas regras contábeis

Encerramento do 1T26 impõe novas regras contábeis

O fechamento do primeiro trimestre de 2026 marcou o início prático de um dos ciclos regulatórios mais desafiadores da contabilidade brasileira. Com a virada fiscal de 31 de março, empresas tiveram de incorporar a fase de transição para IBS e CBS, recalcular margens no Lucro Presumido por força da Instrução Normativa 2.306/2026 e lidar com a primeira retenção automática via split payment. Ao mesmo tempo, a iminente adoção obrigatória da IFRS 18 em 2027 e a tributação sobre lucros distribuídos já a partir deste ano exigiram ajustes profundos em planos de contas, DRE e governança societária.

Mudança tributária: IBS, CBS e revisão do Lucro Presumido

O trimestre foi o primeiro a capturar efeitos diretos dos novos tributos sobre o consumo — Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). Ainda em fase piloto, as alíquotas-teste influenciaram projeções de custo e preço em tempo real. Em paralelo, a Receita Federal publicou a IN 2.306/2026, redefinindo coeficientes de presunção e obrigando contribuintes do Lucro Presumido a revisar o cálculo de IRPJ e CSLL já no 1T26. Empresas que não recalcularam provisões podem enfrentar autuações ainda no segundo trimestre.

Split payment redefine gestão de caixa

O mecanismo de split payment — retenção automática do tributo no ato do pagamento — reduziu a folga de caixa de vários setores. A conciliação passou a ser diária, e a tradicional “gordura” de dias a pagar praticamente desapareceu. Controladorias que não integraram sistemas bancários e ERPs às APIs governamentais tiveram dificuldade em rastrear valores retidos, elevando o risco de inconsistências em DCTFWeb e EFD-Reinf.

Tributação de lucros distribuídos muda planejamento societário

Desde 1º de janeiro, a distribuição de lucros passou a sofrer incidência de IR na fonte. No 1T26, advogados e contadores priorizaram assembleias para formalizar a retenção de lucros acumulados até 2025, ainda isentos. Quem deixou para deliberar em abril já encontra discussões sobre possibilidade de bitributação, exigindo pareceres jurídicos e ajustes contábeis adicionais.

IFRS 18 e relatórios ESG antecipam ajustes estruturais

Embora a IFRS 18 só seja mandatória em 2027, o período comparativo começou agora. Empresas iniciaram reclassificações no DRE, separando fluxos operacionais, de investimento e financiamento. Simultaneamente, os padrões de sustentabilidade IFRS S1 e S2 foram integrados às notas explicativas, elevando a transparência sobre metas climáticas e sociais. Investidores passaram a exigir esses relatórios para liberar linhas de crédito indexadas a desempenho ESG.

IA e escassez de especialistas elevam custos

Ferramentas de inteligência artificial se consolidaram como aliadas no cruzamento de dados fiscais, permitindo a identificação de passivos ocultos quase em tempo real. Contudo, a demanda por analistas capazes de interpretar os outputs de IA e as novas regras da OCDE/Pilar 2 provocou inflação salarial nas grandes firm contábeis. Pequenas e médias empresas já sinalizam terceirização parcial do fechamento contábil como forma de mitigar o aumento de custos fixos.

O que fazer até o fechamento anual

Para companhias no Lucro Real Trimestral, março representou a apuração definitiva de IRPJ e CSLL do período. A recomendação de especialistas é reavaliar a opção tributária à luz dos novos cenários de prejuízo fiscal, considerando eventual migração para o Lucro Real Anual se o carregamento de créditos se tornar mais estratégico. Além disso, a consolidação do “Pix dos Impostos” promete intensificar a fiscalização automatizada, reduzindo ainda mais a margem para erros materiais.

Análise: custo de não se adequar supera investimento inicial

A procrastinação nos ajustes exigidos pelos novos tributos e normas contábeis tende a gerar sanções financeiras superiores ao investimento necessário para atualizar sistemas e treinar equipes. Empresas que anteciparam a implantação de IA fiscal relatam economia de até 12% em contingências, enquanto organizações que optaram por esperar já registram multas que corroem a margem operacional. Na prática, o custo de oportunidade de não se adequar imediatamente pode inviabilizar projetos de expansão e comprometer a percepção de risco de crédito junto a bancos.

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