Escassez de profissionais de TI trava inovação no Brasil
Escassez de profissionais de TI afeta quase oito em cada dez empresas do país, segundo a pesquisa CTO Insights 2025, realizada pela Impulso com 110 líderes de tecnologia. O levantamento mostra que 79,3% dos CTOs não conseguem contratar ou reter talentos de tecnologia, e 50,6% sentem falta de pessoal em todos os níveis hierárquicos.
Experiência sênior virou ativo raro
A carência é mais crítica entre profissionais sêniores: 37,9% das companhias relatam dificuldades específicas para preencher essas vagas, enquanto apenas 6,9% enfrentam escassez no nível júnior. Para 64,3% dos executivos, recrutar e contratar perfis qualificados é o principal desafio, superando temas como implantação de Inteligência Artificial (27,6%) e modernização de sistemas legados (29,9%).
Impacto direto na inovação e nos orçamentos
Com 59,8% dos CTOs tentando equilibrar inovação e resultados imediatos, o orçamento aparece como obstáculo adicional: 65,5% das empresas destinam até 20% dos recursos a projetos inovadores. A falta de pessoal especializado limita a adoção de IA: apenas 33,3% contam com equipes avançadas, e 54% apontam a ausência de profissionais capacitados como principal barreira para projetos de inteligência artificial.
Modelos tradicionais de contratação emperram o processo
Embora 52,9% do orçamento de TI seja aplicado em capital humano, 89,7% das empresas continuam usando recrutamento interno tradicional, um método visto como lento e caro. Processos convencionais levam de 30 a 60 dias para concluir uma contratação CLT, período considerado excessivo num mercado de tecnologia dinâmico.
Outsourcing ganha espaço, mas adesão ainda é gradual
Para reduzir o tempo de alocação, 58,6% das organizações recorrem ao outsourcing de forma progressiva, enquanto 20,7% usam o modelo em projetos temporários. Os principais atrativos são flexibilidade de escopo (18,4%), aumento rápido da capacidade (14,9%) e redução do tempo de contratação (14,9%). Soluções como Talent as a Service (TaaS) conseguem disponibilizar profissionais entre 5 e 15 dias, vantagem competitiva diante da urgência de execução.
De acordo com Sylvestre Mergulhão, CEO da Impulso, “não existe inovação sem pessoas preparadas”. Ele defende que combinar equipes internas com parceiros especializados é o caminho para ampliar projetos complexos sem comprometer qualidade ou velocidade.
Apesar de 56,3% das empresas já utilizarem IA ou Machine Learning, metade investe menos de R$ 100 mil por ano nessas tecnologias, reflexo direto da falta de especialistas capazes de extrair valor das ferramentas disponíveis.
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