Estado cobra agressor por pensão do INSS em decisão

Estado cobra agressor por pensão do inss em decisão

Estado cobra agressor por pensão do INSS em decisão

Estado cobra agressor por pensão do INSS em sentença da 2ª Vara Federal de Marília que determinou o ressarcimento integral dos valores pagos à filha de uma vítima de feminicídio.

Decisão pioneira em Marília

A juíza federal Prycila Rayssa Cezario dos Santos condenou Renato Santos de Jesus a devolver ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) todo o montante já desembolsado, além das parcelas futuras da pensão por morte concedida à filha de dois anos. O crime ocorreu em 2021 e rendeu ao réu pena de 26 anos de prisão. Segundo cálculos apresentados no processo, a cobrança deve ultrapassar R$ 340 mil, com previsão de pagamentos até março de 2040.

Tese da AGU fortalece responsabilização

O caso confirma a estratégia jurídica da Advocacia-Geral da União (AGU), prevista no artigo 120, inciso II, da Lei 8.213/91, incluído pela Lei 13.846/19. O dispositivo autoriza ações regressivas contra autores de violência doméstica para que o erário não arque com benefícios previdenciários decorrentes de crimes de gênero. O órgão, em parceria com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), cruza bases de condenações criminais e concessões do INSS nas 27 unidades da federação. O objetivo é bloquear benefícios ao agressor e acionar judicialmente quem provocar despesas ao sistema de seguridade.

Efeito financeiro e preventivo

Na sentença, a magistrada citou a Resolução 492/2023 do CNJ e o Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero. Para ela, ignorar o contexto de violência sistêmica imporia à sociedade o custo econômico de um crime de gênero. A decisão, portanto, tem caráter pedagógico ao transferir ao agressor o peso financeiro de seu ato e sinalizar que feminicídios gerarão repercussões patrimoniais, além das penais.

Procuradora-geral federal da AGU, Adriana Venturini ressalta que a política pública vai além da recuperação de recursos: integra o plano nacional de enfrentamento à violência contra a mulher, reforçando a ideia de que o agressor deve responder por todas as consequências do crime.

Com a medida, especialistas avaliam que novas ações regressivas devem ser propostas pelo INSS, criando jurisprudência capaz de desestimular a violência doméstica ao impor também sanções econômicas.

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Redação Finanças KDicas

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