Lançado nesta quarta-feira, 1º, pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em parceria com o Ministério das Cidades, o Estudo Nacional de Mobilidade Urbana (ENMU) mapeou 187 projetos capazes de acrescentar mais de 3 mil quilômetros à malha de transporte público nas 21 regiões metropolitanas mais populosas do país. Com investimentos estimados entre R$ 400 bilhões e R$ 430 bilhões, o documento traça um horizonte de 30 anos para orientar governos estaduais, prefeituras e a União na expansão de metrôs, trens urbanos, BRTs, VLTs e corredores exclusivos.
Carteira prevê salto de quilômetros na rede de mobilidade
O ENMU consolidou demandas até 2054 usando projeções populacionais e de fluxo de passageiros. Ao todo, os projetos somam um acréscimo superior a 3 mil km de linhas, chegando a 314,1 km somente em Belo Horizonte, onde o BNDES já contratou o primeiro empreendimento. Na capital mineira, o aumento será de 229,9 km sobre a rede atual de 84,2 km, com aporte de R$ 35,6 bilhões.
Impactos esperados na qualidade de vida e no clima
Os técnicos do banco calculam que as obras podem reduzir em 15% o tempo médio de deslocamento e cortar o custo operacional por viagem em 11%. No plano ambiental, a meta é evitar a emissão anual de 3 milhões de toneladas de CO₂, contribuindo para as metas de redução de gases de efeito estufa. Entre os benefícios sociais, constam a previsão de mais 27 mil vidas preservadas por ano em sinistros de trânsito e um aumento de 30% na acessibilidade a serviços e empregos.
Financiamento prioriza o Fundo Clima
Segundo o diretor de Planejamento e Relações Institucionais do BNDES, Nelson Barbosa, a maior parte dos recursos poderá vir do Fundo Clima, linha que atende investimentos voltados à mitigação de emissões e à adaptação às mudanças climáticas. A projeção é de que 80% dos valores sejam públicos, enquanto os 20% restantes viriam de parcerias com o setor privado. A carteira aponta, ainda, integração tarifária e bilhetagem eletrônica como requisitos para todos os sistemas.
Regiões metropolitanas contempladas
O estudo cobre Belém, Belo Horizonte, Campinas, Curitiba, Florianópolis, Fortaleza, Goiânia, João Pessoa, Maceió, Manaus, Natal, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, Santos, São Luís, São Paulo, Teresina, Vitória e o Distrito Federal. Para o ministro das Cidades, Vladimir Lima, a iniciativa representa um “Minha Casa Minha Vida da mobilidade”, pois alia segurança, previsibilidade e conforto aos usuários.
Geração de empregos e demanda por veículos
Durante o período de implantação, estimam-se mais de 1,3 milhão de empregos diretos e indiretos por ano. O parque fabril brasileiro teria de entregar até 6,6 mil ônibus elétricos, 2,4 mil carros metroferroviários e 600 composições de VLT para atender à nova oferta de transporte coletivo.
BNDES mira quebra de ciclo vicioso de subinvestimento
Atualmente, o país aplica apenas 0,1% do PIB em mobilidade urbana. A superintendente de Soluções para as Cidades do banco, Luciene Machado, projeta que o índice pode chegar a 0,25% do PIB, ou R$ 20 bilhões anuais, caso as propostas avancem. Ela ressalta que em aproximadamente 15 anos é possível concluir todos os 187 projetos por serem tecnicamente e financeiramente “exequíveis”.
Custo de oportunidade: esperar ou investir já?
Ao considerar que cada ano de atraso mantém o gasto operacional elevado e a emissão de 3 milhões de toneladas de CO₂, retardar os projetos implica perder economia potencial imediata e adiar ganhos ambientais e sociais projetados. Com a taxa de retorno econômica já indicada pelo ENMU, alocar recursos rapidamente tende a gerar benefícios líquidos superiores ao custo de capital, além de mobilizar cadeias industriais locais — de ônibus elétricos a composições ferroviárias — sustentando empregos e arrecadação fiscal. A análise revela que a postergação prolonga o ciclo de subinvestimento criticado pelo BNDES e mantém a população sujeita a longas jornadas diárias sem necessidade.
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