Evitar malha fina no IR: janeiro é decisivo para 2026
Evitar malha fina no IR exige atenção redobrada já no primeiro mês do ano, quando o contribuinte tem a chance de estruturar toda a documentação que sustentará a declaração referente ao exercício de 2025, a ser entregue em 2026.
Retenções atingem quase 9% das declarações
Levantamento da Receita Federal mostra que 3,97 milhões de declarações — 8,7% do total enviado no IRPF 2025 — ficaram retidas inicialmente. Os principais motivos foram divergências em despesas médicas (32,6%), omissão de rendimentos (30,8%) e inconsistências no Imposto de Renda Retido na Fonte (15,1%). Mesmo após a fase de autorregularização, mais de 1,29 milhão de contribuintes permaneceram na malha fina.
Organização antecipada reduz riscos
Segundo o advogado tributarista Adriano Murta, o planejamento iniciado em janeiro transforma o processo de entrega em “um investimento de tempo que gera segurança o ano inteiro”. A recomendação inclui reunir extratos bancários, informes de rendimentos, relatórios de investimentos e comprovantes emitidos por corretoras nacionais.
Despesas dedutíveis exigem comprovação
Clínicas, hospitais, profissionais autônomos e instituições de ensino enviam dados diretamente ao Fisco. Qualquer divergência entre esses valores e o que o contribuinte declara pode resultar em retenção automática. Manter recibos e notas fiscais organizados desde já evita retrabalho e reduz a chance de erros.
Investimentos no exterior pedem atenção extra
Quem aplica fora do país deve guardar extratos de corretoras estrangeiras, comprovantes de remessas internacionais e documentos relativos a empresas offshore ou trusts. O Banco Central cobra rastreabilidade na Declaração de Capitais Brasileiros no Exterior (CBE), e o Internal Revenue Service (IRS) exige documentação detalhada dos investidores estrangeiros.
Digitalizar para facilitar o controle
A Receita Federal aceita arquivos digitais, desde que legíveis e íntegros. Digitalizar recibos, contratos e informes diminui o risco de extravio, agiliza o envio ao contador e cria um histórico organizado ao longo do ano-base. Murta ressalta que a conferência periódica desses documentos identifica inconsistências antes que elas cheguem ao radar do Fisco.
Com a preparação iniciada agora, o contribuinte reduz significativamente as chances de cair na malha fina, evita multas e ganha tranquilidade na temporada de entrega da declaração.
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