Fraude do INSS: contador admite serviço a quatro associações
Fraude do INSS: contador admite serviço a quatro associações Fraude do INSS volta aos holofotes depois que o contador Mauro Palombo Concílio confirmou à CPMI ter prestado serviços contábeis às entidades investigadas por descontos irregulares de aposentados e pensionistas.
Contador se diz apenas prestador de serviço
Mauro Palombo compareceu à comissão parlamentar como testemunha, levando recibos fiscais e outros documentos. Ele afirmou ter atuado para Amar Brasil, Andap, Aasap e Master Prev, a partir de indicação de dirigentes hoje também sob investigação. Residente nos Estados Unidos desde 2018, o profissional mantém três empresas de contabilidade ativas no Brasil.
Segundo o depoimento, Palombo não tinha acesso aos acordos de cooperação técnica firmados pelas associações e afirmou não ter identificado incompatibilidades nos extratos bancários analisados. Seu escritório contabilizou cerca de R$ 2 milhões no período investigado. Sobre possíveis irregularidades, declarou nunca ter percebido movimentações suspeitas que justificassem comunicação ao Coaf.
Esquema teria desviado mais de R$ 700 milhões
O relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), sustenta que as quatro entidades serviram para viabilizar um desvio superior a R$ 700 milhões. Para ele, Palombo estruturou a contabilidade que manteve o esquema em funcionamento, conectando os principais envolvidos. A comissão apreendeu toda a documentação apresentada pelo contador.
Dentre os clientes atendidos por Palombo estão a esposa do ex-procurador Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho e o empresário João Carlos Camargo Júnior, conhecido como “alfaiate dos famosos” e apontado como operador de lavagem de dinheiro. Uma das notas examinadas indica pagamento de mais de R$ 1 milhão à empresa de Camargo por “cartela de descontos”.
Parlamentares cobram suspensão de consignados
Ao encerrar a sessão, o presidente da CPMI, senador Carlos Viana, defendeu a suspensão, por 180 dias, dos empréstimos consignados vinculados ao INSS. O objetivo, segundo ele, é proteger beneficiários afetados pelos golpes. Mais detalhes do depoimento foram divulgados pela Agência Senado, órgão oficial de notícias do Legislativo federal.
Mesmo colocando seu sigilo bancário à disposição e negando participação direta em fraudes, Palombo admitiu guardar valores em espécie em casa, todos declarados à Receita Federal. Parlamentares consideraram “coincidências demais” as movimentações contábeis das associações, fortalecendo a suspeita de lavagem de dinheiro.
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