Levantamento da V360 indica que, embora 87% das empresas declarem possuir automação fiscal, 62,2% ainda gastam mais de 20 dias para registrar notas fiscais. Esse atraso, divulgado em dezembro de 2025, pressiona o fluxo de contas a pagar e coloca em xeque a segurança das operações de crédito baseadas em duplicatas escriturais, impactando fornecedores, sacados e instituições financeiras.
Demora no registro fiscal expõe falhas operacionais
O estudo aponta um descompasso entre a automação anunciada pelas companhias e a efetiva maturidade operacional. Na prática, o prazo superior a 20 dias para lançar documentos fiscais amplia o risco de inconsistências que podem comprometer a validação de títulos e atrasar pagamentos. Para bancos que utilizam esses dados na concessão de crédito, falhas de informação elevam o custo de análise e a necessidade de processos mais robustos de conferência.
Duplicata escritural exige rastreabilidade aprimorada
Com a adoção da duplicata escritural, as registradoras passam a ter papel central na confirmação, rastreamento e acompanhamento dos títulos. A mudança não cria novos erros, mas impõe disciplina maior: divergências entre nota fiscal, pedido e liquidação de pagamento tornam-se facilmente auditáveis e exigem sistemas integrados. A Receita Federal (gov.br/receitafederal) reforça a necessidade de harmonização de dados fiscais para reduzir riscos regulatórios e operacionais.
Impacto direto no contas a pagar
Para os sacados, o contas a pagar ganha status estratégico. A capacidade de validar informações, identificar inconsistências e responder dentro dos prazos passa a influenciar não apenas o relacionamento com fornecedores, mas também a elegibilidade de suas duplicatas como garantia de financiamento. Segundo a V360, o ambiente exige controles claros, integrados e rastreáveis, sob pena de aumento de fricção em toda a cadeia financeira.
Volumes altos aumentam a complexidade
Em dezembro de 2025, a V360 processou R$ 57,3 bilhões distribuídos em mais de 2,6 milhões de documentos fiscais. O volume evidencia a dificuldade de conciliar grandes quantidades de notas, obrigações de pagamento e informações fiscais em tempo hábil. Em um mercado onde bancos dependem da qualidade desses dados para precificar operações de crédito, qualquer lapso de consistência pode travar liberações de recursos e encarecer financiamentos.
Empresas maduras antecipam adequação
Diante desse cenário, organizações que já estruturam processos de automação completos colhem vantagens competitivas. Ao integrar informações fiscais, financeiras e contratuais, conseguem previsibilidade, reduzem erros e fortalecem a governança. Executivos do setor comparam a transição à modernização de sistemas como o Pix: não se trata apenas de cumprir regra, mas de repensar fluxos internos para operar em um padrão mais exigente.
Custos visíveis de ineficiência: análise da redação
A lacuna média de 20 dias no registro de notas cria um custo de oportunidade bilateral. Para o emissor do título, representa capital de giro imobilizado que poderia ser antecipado; para o banco, significa maior consumo de tempo na checagem de dados e precificação mais alta para compensar o risco. Considerando os R$ 57,3 bilhões processados em dezembro de 2025, cada dia extra sem registro adequado retarda a circulação de bilhões no sistema financeiro, afetando taxas de desconto, prazos de liquidação e a própria competitividade das empresas no mercado de crédito.
Para continuar acompanhando as atualizações, acesse nossa editoria de Notícias de Finanças.
Descubra mais sobre Finanças KDicas
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.
