Governança robusta vira trunfo das empresas em 2026

Governança robusta vira trunfo das empresas em 2026

O cenário contábil brasileiro projetado para 2026 eleva a governança a condição de requisito para a obtenção de crédito e a atração de capital, segundo o conselheiro Reider Resende de Freitas Tassara Starling. Em meio ao endurecimento das normas e à pressão por transparência vinda dos órgãos reguladores, a função de CFO e da controladoria deixa de ser operacional para assumir protagonismo estratégico. Para o executivo, improvisar processos contábeis deixou de ser opção diante das novas exigências de investidores e bancos.

Endurecimento regulatório fortalece o papel do CFO

Reider Starling destaca que a conformidade contábil tornou-se o principal pilar de sustentação das operações de crédito. A partir de 2026, as empresas que buscam financiamento deverão comprovar aderência a práticas de governança em linha com os padrões internacionais de reporte. O alerta acompanha a postura de entidades como a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que já intensificam a cobrança por demonstrativos mais claros e rastreáveis.

Segundo o executivo, a separação entre propriedade e gestão figura como eixo central dessa transformação. A figura do Chief Financial Officer ganha mais autonomia para assegurar que os registros contábeis reflitam, com precisão, a realidade econômica do negócio. “A conformidade deixou de ser tarefa burocrática”, afirma Starling, reforçando que relatórios bem estruturados passam a ser requisito básico para captação de recursos.

Auditorias pressionam por controles financeiros impecáveis

As mais recentes atualizações em auditoria levam as empresas a implementar métricas de desempenho e monitorar o fluxo de caixa de forma contínua. Para Reider Starling, negligenciar ferramentas como orçamento base zero ou ignorar a adoção integral do IFRS 16 coloca o negócio em risco imediato de continuidade. “Empresas que não dominam seus números assumem riscos desnecessários”, explica o executivo.

Esse movimento acompanha a diretriz de organismos reguladores que, após casos globais de inconsistência contábil, apertam a fiscalização sobre projeções financeiras e provisões de perdas. O Banco Central, por exemplo, já orienta instituições financeiras a reforçarem a análise de balanços antes de conceder linhas de crédito, conforme diretrizes disponíveis em bcb.gov.br.

Governança decide sobrevivência em processos de Turnaround

Em empresas sujeitas a reestruturações ou programas de Turnaround, a governança surge como o único caminho para estabilizar operações e preservar valor. A clareza da estrutura de capital passou a ser pré-condição para renegociação de dívidas com credores e investidores institucionais. Starling sublinha que relatórios de auditoria alinhados a padrões internacionais aumentam a credibilidade da companhia, facilitando a extensão de prazos ou a injeção de capital.

A adoção de conselhos independentes, indicadores de desempenho alinhados ao fluxo de caixa e controles internos fortalecidos contribui para a construção dessa confiança. “Governança madura é o antídoto contra a volatilidade econômica”, resume o especialista.

Transparência radical se consolida como vantagem competitiva

Para os gestores contábeis, a orientação é direta: investir em compliance, formalizar processos e sustentar decisões em dados verificáveis. Starling enfatiza que a transparência radical — entendida como divulgação tempestiva e integral de informações financeiras — representa a única vantagem competitiva realmente perene no ambiente de negócios globalizado.

No mercado de capitais, essa clareza reduz o custo de captação ao mitigar a percepção de risco por parte de analistas e investidores. Em setores intensivos em capital, como infraestrutura e tecnologia, a diferença entre receber ou não aporte externo pode residir na robustez dos controles internos.

Impacto financeiro de ignorar a governança

Do ponto de vista econômico, a falta de governança eleva não só o risco operacional, mas também o custo de oportunidade: ao adiar investimentos em compliance, a empresa pode ficar alijada de linhas de crédito mais baratas, além de perder acesso a parceiros estratégicos habituados a métricas globais de performance. Em contrapartida, organizações que antecipam a adoção de IFRS 16, orçamento base zero e auditorias recorrentes tendem a captar recursos a taxas inferiores à média do mercado, liberando fluxo de caixa para expansão ou inovação.

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