Mais da metade das transações online avaliadas pela Spring Scale Global já recebe influência direta de ferramentas de inteligência artificial, aponta levantamento que examinou 300 campanhas, 200 milhões de impressões e 4 milhões de cliques. O estudo revela ainda um ganho de até 12% em vendas incrementais, sem necessidade de ampliar o orçamento de mídia, pressionando empresas de varejo, finanças, educação e saúde a repensarem suas estratégias digitais.
IA redefine a jornada de compra do brasileiro
O relatório da Spring Scale Global demonstra que o comportamento do consumidor mudou: ele chega aos canais de venda já munido de comparações, recomendações e cotações produzidas por algoritmos. Giuliano Sarzana, sócio do Grupo Neo e cofundador da consultoria, observa que, “ao encontrar o usuário mais perto da decisão final, o marketing precisa captar sinais de intenção em tempo real para converter esse interesse em receita”.
Hoje, cerca de 90% das vendas ainda são originadas em mecanismos tradicionais, como busca paga, tráfego orgânico e redes sociais. Entretanto, a influência da IA já aparece em mais da metade das jornadas analisadas, seja na etapa de pesquisa, na comparação de preços ou na decisão final de compra.
Conversão é o novo gargalo
Embora a inteligência artificial esteja presente no início da jornada, muitas companhias continuam concentrando orçamento nos mesmos canais de aquisição, disputando usuários com custo de mídia cada vez maior. O estudo indica que a produtividade das campanhas apoiadas por IA gerou elevação de até 12% nas vendas incrementais. O dado sugere que há espaço para crescimento do faturamento sem alta proporcional de investimento, mas isso exige integração entre as áreas de marketing, vendas e tecnologia.
Canais tradicionais sob pressão de custo
A predominância dos canais de busca paga e redes sociais mantém-se, porém com retorno menor. Segundo a análise, mais de 50% dos cliques observados já foram precedidos por alguma interação com IA – um comparador de preços, um chatbot ou uma recomendação automatizada. Esse comportamento pressiona as empresas a entender onde a decisão de compra se forma e como migrar de uma estratégia baseada apenas em exposição para uma lógica orientada a dados.
Setores com maior potencial de ganho
Varejo, serviços financeiros, educação, saúde, tecnologia, cosméticos e bens de consumo destacam-se no estudo como segmentos que operam grandes volumes de dados e jornadas complexas. Neles, a inteligência artificial pode ser aplicada desde a análise de comportamento do usuário até a personalização de ofertas, identificação de oportunidades comerciais e ajuste dinâmico de lances publicitários.
Para conhecer iniciativas públicas relacionadas ao tema, empresários podem consultar a Estratégia Brasileira de Inteligência Artificial, disponível no portal do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (gov.br/mcti).
IA ganha status estratégico nas empresas
O levantamento mostra que a discussão sobre inteligência artificial migrou do campo da automação de tarefas para o coração do resultado financeiro. “A pauta saiu da produtividade e entrou na receita”, resume Sarzana. Com margens mais apertadas e pressão por eficiência, cresce o número de executivos que veem a tecnologia como alavanca para aumentar competitividade e reduzir desperdícios.
Custo de oportunidade: ignorar IA pode reduzir margem futura
Ao manter investimentos em canais tradicionais sem explorar o potencial da IA, as empresas perdem vantagem competitiva dupla: gastam mais para atrair o mesmo cliente e deixam de capturar os 12% de vendas incrementais revelados pelo estudo. Em mercados de baixa margem, essa diferença impacta diretamente o resultado operacional. Já quem adota soluções de IA consegue redistribuir orçamento, focando em conversão e fidelização, o que reduz o Custo de Aquisição de Cliente (CAC) e libera recursos para inovação.
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