Mais da metade das transações digitais no Brasil já sofre influência direta de mecanismos de inteligência artificial, aponta estudo divulgado em 2024 pela Spring Scale Global. A análise de 300 campanhas — que somaram 200 milhões de impressões, 4 milhões de cliques e R$ 5 milhões em mídia — mostra ganhos de até 12% nas vendas incrementais, pressionando áreas de marketing a rever processos e alocação de verba.
IA já impulsiona 50% das vendas online, revela estudo
Metodologia envolveu 300 campanhas e diversos setores
A Spring Scale Global examinou iniciativas de varejo, cosméticos, saúde, educação, serviços financeiros, tecnologia e bens de consumo. Foram mapeadas 300 campanhas digitais, cruzando dados de impressões, cliques e conversões ao longo dos últimos meses. O resultado indica que mais de 50 % das vendas passaram por algum ponto de contato otimizado ou mediado por IA.
Os pesquisadores ressaltam que a influência ocorre em múltiplas fases da jornada — pesquisa, comparação ou decisão final —, mesmo quando o consumidor não interage diretamente com o canal da marca. Isso muda a leitura tradicional de atribuição de mídia e desafia as empresas a entender onde a decisão é formada.
Vendas incrementais crescem até 12% sem ampliar investimento
Segundo o levantamento, campanhas turbinadas por IA registraram até 12 % de aumento nas vendas incrementais. O ganho foi observado sem necessidade de elevar o orçamento, reforçando o papel da tecnologia na eficiência do investimento em mídia. Apesar disso, 90 % das conversões continuam partindo de canais convencionais, como busca paga, tráfego orgânico e redes sociais, o que mostra espaço para otimização.
Giuliano Sarzana, sócio do Grupo Neo e cofundador da Spring Scale Global, avalia que a discussão deixou de ser apenas sobre produtividade: “As empresas querem usar tecnologia para vender melhor, reduzir desperdício e gerar crescimento real de faturamento”.
Comportamento do consumidor exige reação rápida das marcas
A principal mudança apontada pelo executivo é comportamental. O consumidor chega aos canais da marca já informado e próximo da decisão de compra, graças a recomendações baseadas em IA. Nessa etapa, a tarefa das empresas deixa de ser apenas atrair tráfego — passa a ser converter intenção em receita.
Esse cenário obriga marketing, vendas e tecnologia a trabalharem de forma integrada para identificar “sinais quentes” de compra em tempo real. Órgãos e agências governamentais, como o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), têm incentivado a adoção responsável de IA, o que reforça a tendência de expansão dessas práticas no mercado nacional.
Setores com maior potencial de ganho
De acordo com o estudo, segmentos que lidam com alto volume de dados e jornadas mais complexas lideram a adoção: varejo, serviços financeiros, educação, saúde, tecnologia, cosméticos e bens de consumo. Nesses nichos, a IA apoia desde a personalização de ofertas até a otimização de campanhas e a identificação de oportunidades de upsell.
A Spring Scale Global conclui que, em um ambiente de margens mais apertadas e custos de aquisição elevados, a IA tende a se consolidar como peça-chave para manter a competitividade. Empresas que permanecem apenas nos formatos tradicionais enfrentam disputa acirrada e despesas crescentes.
Análise KDicas: custo de oportunidade na adoção de IA
Os números levantados criam um ponto de alerta para quem ainda hesita em investir em inteligência artificial. Quando campanhas semelhantes geram até 12 % de vendas adicionais sem aumento de verba, toda empresa que posterga a adoção deixa receita potencial sobre a mesa. Além disso, a influência da IA em 50 % das jornadas significa que a marca pode perder relevância antes mesmo de o consumidor entrar no funil tradicional. O custo de oportunidade, portanto, não está apenas em gastar mais, mas em deixar de capturar demanda já existente.
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