Faltando poucos dias para o prazo final em 29 de maio, a Receita Federal já recebeu mais de 26 milhões de declarações e espera chegar a 44 milhões até o encerramento. A IOB compilou os deslizes que mais levam contribuintes à malha fina e reforça a importância de revisar cada detalhe antes do envio, sob risco de multas ou atraso na restituição.
Volume entregue e rigor da Receita Federal
Segundo dados divulgados pela Receita, mais de 26 milhões de contribuintes já cumpriram a obrigatoriedade. A autarquia cruza informações de diversas fontes — financeiras, médicas, educacionais — e interrompe o processamento sempre que encontra divergências. Nessa situação, a declaração permanece “em processamento” e o contribuinte pode ser encaminhado diretamente para a malha fina.
O acompanhamento do status pode ser feito no portal oficial da Receita Federal, onde também estão disponíveis orientações atualizadas.
Principais erros apontados pela IOB
Dependentes declarados em duplicidade
Um dos enganos mais frequentes ocorre quando a mesma pessoa é registrada como dependente em duas declarações distintas, situação comum entre pais separados. A IOB lembra que a duplicidade dispara automaticamente um alerta no sistema da Receita. Há exceção apenas quando a relação de dependência muda durante o ano-calendário, como no caso de filho universitário que completa 25 anos.
Casas decimais trocadas
Na pressa, muitos contribuintes esquecem a vírgula antes dos centavos, transformando R$ 100,00 em R$ 10.000,00. O erro de digitação gera divergência entre as informações declaradas e aquelas fornecidas pelo prestador de serviço, situação suficiente para reter a declaração.
Despesas médicas fora das regras
A dedução de gastos com saúde é um dos pontos mais fiscalizados. A IOB reforça que apenas despesas comprovadas legalmente devem ser informadas. Recibos precisam ser mantidos por cinco anos, e valores reembolsados por planos de saúde não podem ser lançados novamente.
Múltiplas fontes de renda omitidas
Quem recebe salários, pró-labore, aposentadoria, gratificações ou aluguéis deve incluir todos os valores, inclusive rendimentos isentos. A omissão de aluguel é recorrente: proprietário declara o ganho, mas o inquilino esquece de informar o pagamento, o que resulta em multa de 20% sobre o valor não declarado.
Bens financiados declarados incorretamente
Na ficha Bens e Direitos, o contribuinte deve informar apenas o valor já pago do bem financiado — e não o montante total. A modalidade do financiamento define detalhes adicionais, mas o princípio básico é declarar a soma quitada até 31/12/2025.
Entrega incompleta x retificação
Para Daniel de Paula, coordenador de IR da IOB, vale mais enviar a declaração dentro do prazo, ainda que incompleta, e retificar depois. Até 29/5 o contribuinte pode, inclusive, trocar o modelo de tributação. Após essa data, a retificação é possível por até cinco anos, mas sem alterar o modelo e desde que a declaração não esteja sob fiscalização.
Escolha entre modelo simplificado e completo
A decisão impacta diretamente no valor da restituição. Quem possui poucas deduções tende a se beneficiar do Desconto Simplificado; já quem acumula gastos significativos com saúde, educação e dependentes pode obter restituição maior no Modelo Completo. A opção fica no menu lateral esquerdo do programa da Receita.
Multas por atraso e penalidades
O contribuinte que não entregar até 29/05/2026 está sujeito a multa de 1% ao mês sobre o imposto devido, limitada a 20%. Quando não há imposto a pagar, aplica-se valor fixo de R$ 165,74. Além disso, inconsistências podem gerar cobrança de imposto adicional com juros e fazer a restituição “pular” para o fim da fila.
Impacto financeiro de atrasos e inconsistências
Deixar para a última hora amplia o risco de erros e, consequentemente, o custo de oportunidade. Além da multa, quem cai na malha fina perde a chance de receber a restituição nos primeiros lotes, valores que poderiam ser investidos ou utilizados para quitar dívidas onerosas. Uma digitação equivocada — como acrescentar um zero a mais — pode significar meses de espera e correção monetária aquém de aplicações financeiras básicas. Já a omissão de rendimentos pode resultar em multas de até 20%, corroendo qualquer ganho obtido no período. Em resumo, revisar a declaração antes do envio vale mais do que assumir o custo — financeiro e de tempo — de uma retificação ou fiscalização posterior.
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