Insolvências empresariais devem subir pouco em 2026
Insolvências empresariais devem subir pouco em 2026, marcando um período de aparente estabilização após três anos de forte alta, segundo projeções da Coface.
Alívio depende de juros mais baixos
O estudo aponta que o próximo ano trará um crescimento moderado dos pedidos de falência, sustentado pela expectativa de redução gradual das taxas de financiamento. Contudo, a pesquisa alerta: um aumento de apenas 25 pontos-base nos juros corporativos seria suficiente para recolocar o ritmo global de insolvências na faixa de 4% a 5%, patamar semelhante ao de 2025.
Setores sob maior pressão
Mesmo com o alívio projetado, a fragilidade permanece elevada nos segmentos de construção, químico e têxtil, que seguem com margens apertadas e alto nível de endividamento. Esses ramos, mais expostos a empréstimos de custo variável, sentirão primeiro qualquer elevação inesperada do crédito.
Perspectiva por regiões
Na Europa, a estabilidade é frágil. Alemanha (+1%), França e Reino Unido (+2%) continuarão registrando números robustos de falências, enquanto a Espanha (3%) tende a contar com cenário macroeconômico mais favorável. A Itália (2%) será influenciada por ajustes estatísticos, e os Países Baixos (+4%) caminham para níveis pré-pandemia.
Na América do Norte, as trajetórias divergem: os Estados Unidos (+4%) seguem pressionados por desaceleração econômica e tarifas mais altas, ao passo que o Canadá (5%) deve iniciar queda significativa após ciclo de alta prolongado.
Na Ásia-Pacífico, o Japão (+7%) enfrenta juros persistentes, e a Austrália (+0,5%) tende a estabilizar após normalização pós-pandemia. Em todas as regiões, choques monetários, setoriais ou regulatórios permanecem como variáveis-chave.
Custo do crédito é o “árbitro” de 2026
Analistas destacam que 2026 deverá representar um alívio, não uma melhora plena. O número de insolvências não cairá; apenas deixará de acelerar. Caso a trajetória de redução de juros perca força, a tendência de estabilização poderá desaparecer rapidamente.
Em resumo, a evolução das insolvências empresariais no próximo ano dependerá menos do crescimento econômico e mais da política monetária: o custo do dinheiro definirá quais empresas resistirão à pressão.
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