Juros altos pressionam médias empresas apesar da Selic
Juros altos pressionam médias empresas mesmo após o Copom iniciar o ciclo de cortes e reduzir a Selic de 15% para 14,75% ao ano. A queda mínima, decidida em março, mantém o Brasil com o segundo maior juro real do mundo e prolonga o aperto financeiro sobre companhias que dependem do crédito bancário tradicional.
Selic recua, mas custo do crédito segue elevado
O Banco Central optou por um corte cauteloso, alegando tensão externa causada pela escalada do conflito no Oriente Médio, que já contamina preços do petróleo, câmbio e expectativas inflacionárias. Para médias empresas, o alívio foi simbólico: na prática, linhas de capital de giro continuam superando 30% ao ano, segundo executivos do setor.
8,9 milhões de companhias negativadas
Levantamento da Serasa Experian mostra que, em novembro de 2025, 8,9 milhões de empresas estavam inadimplentes. Desse total, 8,5 milhões eram micro, pequenas e médias, responsáveis por R$ 190,3 bilhões em dívidas atrasadas. Para Gonzalo Parejo, CEO da plataforma financeira Kamino, o número revela “um risco estrutural ainda subestimado” no debate público.
Parejo ressalta que grandes corporações recorrem a mercado de capitais e proteções sofisticadas, enquanto médias empresas ficam expostas à variação da Selic. “Quando o crédito encarece, a margem para erro some”, afirma.
Fluxo de caixa em tempo real vira prioridade
Segundo o executivo, a falta de visibilidade sobre o caixa é a principal fragilidade. “O erro é tratar fluxo de caixa como foto de fim de mês. Em ambiente volátil, o acompanhamento deve ser contínuo”, diz. Quem descobre a necessidade de capital em cima da hora paga as maiores taxas.
Três frentes para reduzir o impacto dos juros
Parejo recomenda:
1. Revisar prazos de dívida: alongar passivos atrelados à Selic reduz a pressão imediata sobre o caixa.
2. Monitorar recebimentos diariamente: previsibilidade evita contratos emergenciais a custo elevado.
3. Antecipar recebíveis: transformar receitas futuras em liquidez imediata gera fôlego sem ampliar o endividamento estrutural.
Mesmo com o corte inicial, a Selic continua em patamar alto para padrões internacionais. A manutenção de juros elevados amplia o risco de que negócios saudáveis migrem rapidamente para a inadimplência, não por falhas operacionais, mas por uma equação financeira que não fecha.
Em suma, o cenário exige gestão de caixa rigorosa e busca ativa por opções de financiamento menos onerosas, enquanto o mercado aguarda sinais de cortes mais robustos.
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