Levantamento divulgado nesta segunda-feira (18) pela Quaest, a pedido da Genial Investimentos, mostra que 68% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6×1, regime no qual o trabalhador atua seis dias seguidos e folga apenas um. A pesquisa ouviu 2.004 pessoas de 16 anos ou mais entre 8 e 11 de maio, com margem de erro de dois pontos percentuais e 95% de confiança. O resultado reforça a pressão sobre o Congresso, que analisa propostas para reduzir a jornada semanal e ampliar os dias de descanso.
Surpreendente maioria apoia mudança na jornada 6×1, diz Quaest
Maioria mantém apoio, mas adesão oscila em relação a 2023
Embora o apoio continue elevado, os 68% atuais representam leve recuo frente aos 72% registrados em dezembro e aos 69% de julho do ano passado. Em sentido oposto, a rejeição ao fim da escala caiu de 26% para 22% no mesmo intervalo. O grupo que não tem posição definida passou de 2% para 7%, sinalizando maior cautela de parte da população diante das discussões no Legislativo.
Engajamento cresce entre brasileiros com ensino superior
Segundo o estudo, 43% dos entrevistados acompanham de perto o debate, 29% dizem ter ouvido falar pouco sobre o tema e 27% não acompanham. O interesse aumenta para 59% entre pessoas com ensino superior, mas cai para 30% entre quem possui apenas o fundamental. Esses dados indicam correlação entre nível educacional e engajamento cívico, fator que pode influenciar a pressão sobre parlamentares.
Congresso analisa PECs e projeto do governo
Atualmente, a Câmara dos Deputados mantém comissão especial dedicada a propostas de emenda à Constituição que tratam da redução da jornada e da substituição do 6×1 por escalas com mais descanso. Também tramita projeto enviado pelo Poder Executivo que impõe limite semanal de 40 horas e altera o regime para cinco dias de trabalho. As iniciativas integram a pauta prioritária das discussões trabalhistas neste ano.
Visão política influencia opinião sobre a mudança
O levantamento destaca diferenças relevantes conforme a identificação política. Entre apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, 76% defendem o fim da escala, ante 17% contrários. No grupo bolsonarista, o apoio desce para 44%, com 42% contrários. Já entre os que se declaram independentes, 70% aprovam a mudança e 16% reprovam, reforçando a percepção de que o tema ultrapassa clivagens partidárias, mas sofre variações conforme preferências ideológicas.
Salário preservado é condição para maioria
Quando a hipótese de redução salarial entra na equação, o apoio ao novo modelo desaba para 39%, enquanto 56% se posicionam contra. Apenas 1% permanece neutro e 4% não soube responder. O dado evidencia a sensibilidade do trabalhador brasileiro à renda, sugerindo que qualquer reforma na jornada terá de garantir, no mínimo, manutenção do salário para conquistar aderência popular.
Diferenças regionais e por renda
O Nordeste lidera o apoio à mudança, com 72% favoráveis, seguido por Sul (63%), Sudeste (66%) e Centro-Oeste/Norte (66%). Em termos de renda, quem recebe até dois salários mínimos se mostra mais entusiasmado (70%) do que o grupo com rendimento superior a cinco salários mínimos (62%). Ainda assim, em todos os estratos a maioria se manifesta a favor da revisão do 6×1.
Impacto potencial em setores produtivos
Empresas de comércio, indústria, saúde, transporte e serviços acompanham de perto o debate. A adoção de uma escala menos intensa pode exigir reorganização de turnos, ajuste na folha de pagamento, novos acordos coletivos e revisão de custos trabalhistas. Para profissionais de contabilidade e de recursos humanos, entender os cenários propostos torna-se fundamental, já que mudanças legislativas podem afetar cálculos de horas extras, adicional noturno e indicadores de produtividade.
Oportunidades e riscos financeiros para empregadores
Do ponto de vista econômico, o eventual fim da escala 6×1 gera custo de oportunidade significativo. Se mantido o salário atual, as empresas podem precisar contratar mais pessoal para cobrir folgas adicionais, elevando despesas fixas. Por outro lado, há potencial ganho em produtividade e redução de absenteísmo graças ao aumento de dias de descanso, fatores que podem compensar parte dos gastos extras. Setores com operação ininterrupta, como hospitais e indústrias de processo contínuo, sentirão o maior impacto imediato, pois demandarão reengenharia completa de seus quadros de escala. A definição final do Congresso sobre jornada semanal e preservação salarial será, portanto, determinante para mensurar o balanço entre custos adicionais e eventuais ganhos de eficiência.
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