Mudanças no MEI: Câmara avalia impacto fiscal antes de ampliar teto

Mudanças no mei: câmara avalia impacto fiscal antes de ampliar teto

Em 28 de março, durante reunião em Brasília, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, afirmou que qualquer alteração no regime do Microempreendedor Individual dependerá de um estudo de impacto fiscal. A declaração ocorre no momento em que o Parlamento discute o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, temas que podem pressionar pequenos negócios.

Debate sobre a jornada 6×1 impulsiona revisão das regras

A tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o encerramento gradual da escala 6×1 reabriu discussões sobre a necessidade de ajustes no MEI. A mudança na carga horária exige reestruturação de turnos em setores de comércio e serviços, predominantemente compostos por micro e pequenas empresas. Para evitar aumento abrupto dos custos trabalhistas, o governo estuda flexibilizar a contratação dentro do regime simplificado.

Possibilidade de dois empregados por MEI ganha força

O Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte (MEMP) avalia autorizar até dois funcionários por Microempreendedor Individual. Atualmente o limite é de apenas um. A medida, segundo técnicos do ministério, ajudaria estabelecimentos a manter atendimento em turnos alternados sem a necessidade de migração para regimes tributários mais complexos. O Executivo acredita que, com mais mão de obra disponível, negócios de menor porte podem cumprir a nova jornada semanal sem sacrificar margens.

Teto de faturamento pode saltar para R$ 130 mil — ou R$ 145 mil

Paralelamente, o Congresso discute elevar o limite anual de faturamento. O Projeto de Lei Complementar 108/21, já aprovado no Senado, define novo teto de R$ 130 mil. Outras propostas sugerem R$ 145 mil, com correção pelo IPCA. Especialistas apontam que a atualização é necessária para acompanhar a inflação acumulada desde 2018, ano em que o valor atual de R$ 81 mil foi fixado.

Contudo, Hugo Motta reforçou que “qualquer migração de empresas para regimes simplificados reduz a arrecadação previdenciária e tributária”, motivo pelo qual a Câmara só deve avançar após a apresentação de cenários pela Receita Federal do Brasil. O presidente da Casa quer que o impacto seja conhecido antes de a matéria ser pautada em plenário.

Riscos fiscais e a preocupação com a pejotização

Economistas e tributaristas consultados por deputados alertam para um potencial efeito colateral: com um limite de receita maior e a possibilidade de contratar mais empregados, empresas médias podem fragmentar atividades em múltiplos CNPJs para pagar menos impostos, fenômeno conhecido como pejotização. Essa estratégia, embora reduza custos para o empregador, provoca queda na arrecadação do INSS e do Imposto de Renda.

Além disso, uma transição abrupta poderia pressionar ainda mais as contas públicas no momento em que o governo tenta cumprir a meta de déficit zero. Por isso, a equipe econômica acompanha de perto as estimativas apresentadas pelos órgãos técnicos da Câmara e do Senado.

Tramitação e cronograma na Câmara

Antes de ir ao plenário, as mudanças no MEI precisarão ser aprovadas por uma comissão especial. O colegiado deverá ouvir representantes do Ministério da Fazenda, do MEMP e da Câmara dos Deputados, além de entidades empresariais. A intenção do presidente da Casa é construir um texto de consenso ainda no primeiro semestre para que a adaptação à nova jornada ocorra de forma escalonada.

Enquanto isso, pequenos empresários aguardam definição para planejar 2025. Muitos deles já estudam estratégias de contratação e de distribuição de turnos, mas temem que a insegurança jurídica inviabilize tomadas de decisão no curto prazo.

Setor de comércio e serviços será o mais afetado

Levantamentos apresentados em audiências públicas indicam que micro e pequenas empresas concentram a maior parte dos trabalhadores submetidos à escala 6×1. No comércio varejista, por exemplo, o MEI responde por fatia considerável dos CNPJs ativos. Dessa forma, mudanças no regime podem ditar a sustentabilidade financeira de milhares de pontos de venda espalhados pelo país.

Análise: custo de oportunidade para negócios de menor porte

Manter o teto de R$ 81 mil impede que muitas empresas cresçam sem migrar para o Simples Nacional, onde a alíquota inicial costuma ser superior. Por outro lado, elevar o limite sem contrapartidas pode reduzir a base de arrecadação justamente quando o governo mais precisa de receitas. O custo de oportunidade reside, portanto, em equilibrar duas pontas: permitir que o empreendedor invista, contrate e aumente faturamento, ao mesmo tempo em que o Estado não compromete suas finanças. Se aprovada, a contratação de um segundo empregado tende a gerar empregos, mas exigirá fiscalização rigorosa para evitar uso indevido do CNPJ de MEI como ferramenta de planejamento tributário agressivo.

Para continuar acompanhando as atualizações, acesse nossa editoria de Notícias de Finanças.


Descubra mais sobre Finanças KDicas

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Sobre o autor

Redação Finanças KDicas

O site Finanças KDicas reúne uma equipe focada em produzir conteúdos informativos sobre educação financeira, investimentos e economia do dia a dia. Nosso objetivo é compartilhar conhecimento, notícias atualizadas e dicas úteis, mas ressaltamos que não oferecemos recomendações personalizadas. As informações aqui publicadas têm caráter apenas educativo, e cada leitor é responsável pelas próprias decisões financeiras.