Nova fase do IBS traz NFS-e e amplia testes com empresas

Nova fase do ibs traz nfs-e e amplia testes com empresas

O Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (CGIBS) publicou, na última semana, a relação das empresas selecionadas para a segunda fase do Projeto Piloto do Sistema de Apuração Assistida do IBS. A etapa, que tem início previsto ainda em junho, passa a contemplar também as Notas Fiscais de Serviço eletrônicas (NFS-e), ampliando o alcance da plataforma que está sendo desenvolvida pela Receita Estadual do Rio Grande do Sul e pela Procergs.

Contexto do Projeto Piloto

Instituído pela Portaria nº 013/2026, o Projeto Piloto do Sistema de Apuração Assistida do IBS tem como objetivo testar, validar e aperfeiçoar as soluções tecnológicas que darão suporte à arrecadação do novo tributo criado pela reforma tributária sobre o consumo. De acordo com o CGIBS, a ferramenta deverá automatizar o cálculo de créditos e débitos do imposto, proporcionando mais segurança e agilidade na apuração.

Desde janeiro de 2026, a fase inicial do piloto vem sendo executada com foco nas operações documentadas por Nota Fiscal Eletrônica modelo 55 (NF-e). Os testes envolvem transações entre empresas (operações B2B) e avaliam o comportamento do sistema em diferentes cenários de emissão, escrituração e recolhimento.

O Rio Grande do Sul lidera o desenvolvimento dos módulos de apuração, arrecadação e distribuição, conforme previsto no Edital de Chamamento Público nº 1/2025. A Procergs atua na infraestrutura tecnológica, enquanto representantes de estados e municípios participam da homologação das funcionalidades.

O que muda com a entrada da NFS-e

A principal novidade desta segunda fase é a inclusão das NFS-e, documento fiscal que registra a prestação de serviços. Até então, o piloto estava restrito a mercadorias, e a nova etapa indica a integração gradual do setor de serviços ao ambiente de apuração do IBS. Segundo o CGIBS, a ampliação permitirá avaliar como o sistema lida com particularidades de retenções, regimes especiais e diferentes códigos de atividades ligados ao ISS.

Para viabilizar essa ampliação, cartas-convite estão sendo encaminhadas a empresas desenvolvedoras de software de gestão e de soluções para emissão de documentos fiscais eletrônicos. O objetivo é submeter o sistema a um ambiente controlado, onde seja possível identificar falhas e aplicar correções antes da implantação nacional obrigatória.

O cronograma prevê a divulgação de novas listas de participantes nos próximos meses, aumentando a representatividade dos contribuintes e aprofundando os cenários de teste.

Cronograma e novos participantes

O CGIBS esclareceu que a seleção de empresas ocorrerá de forma escalonada, obedecendo ao avanço das funcionalidades da plataforma. As organizações que receberem a carta-convite deverão confirmar a adesão e seguir as orientações técnicas fornecidas pela Receita Estadual do Rio Grande do Sul.

Durante o período de testes, as empresas deverão transmitir lotes de NFS-e e NF-e em ambiente de homologação, permitindo o acompanhamento em tempo real do processamento dos documentos fiscais. Os resultados serão analisados pelo comitê para ajustes de performance, consistência de dados e usabilidade.

A autarquia projeta que, quando o IBS estiver plenamente implementado, o sistema seja capaz de processar cerca de 70 bilhões de transações fiscais por ano em todo o Brasil. O número evidencia a necessidade de robusta infraestrutura de tecnologia e integração entre entes federativos.

Impacto para empresas e contadores

A inclusão da NFS-e nos testes acende o alerta para empresas prestadoras de serviços, escritórios de contabilidade e provedores de ERP. Processos internos de emissão, escrituração e geração de obrigações acessórias deverão ser revisitados para se adequar às futuras regras operacionais do IBS.

Profissionais da contabilidade que acompanham de perto as discussões sobre a reforma tributária reconhecem que o projeto piloto oferece pistas importantes sobre prazos, layout de arquivos e validações que poderão se tornar definitivos. Antecipar ajustes em sistemas e treinar equipes tende a minimizar riscos na transição para o novo modelo de tributação.

Órgãos oficiais, como a Receita Federal do Brasil, reforçam a necessidade de monitorar publicações normativas e manuais técnicos que serão liberados ao longo do desenvolvimento do projeto.

Por que o avanço da plataforma representa custo de oportunidade?

Ao incorporar as NFS-e, o piloto do IBS sinaliza que a base de cálculo do imposto será alimentada por uma malha de dados mais abrangente, reduzindo espaços para inconsistências ou aproveitamento indevido de créditos. Empresas que retardarem a atualização de seus sistemas podem enfrentar retrabalho, penalidades por erro de informação e maior gasto com suporte emergencial. Já quem se adiantar tende a capturar ganhos de eficiência, evitar multas e melhorar a governança fiscal. Assim, o momento atual configura um claro custo de oportunidade: investir cedo em conformidade tecnológica pode resultar em economia relevante quando o IBS entrar em vigor.

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